Médico em Casa

Reabilitação oral com faceta

Entrevista com a Cirurgiã Dentista Bucomaxilofacial e Implantodontista Estética
Dra Andrea Cury
CRO: 42.422

Silmara Biazoto

Para ter um sorriso mais bonito, muitas pessoas estão recorrendo à colocação de faceta, que é um procedimento odontológico para recobrir o dente com porcelana ou resina.

Dra., qualquer paciente que estiver insatisfeito com um ou mais dentes pode colocar a faceta ou tem alguma contraindicação?

Depende da insatisfação do paciente. Se a insatisfação for por cor é um procedimento – seria uma faceta ou lente de contato. Agora, se o paciente que já teve algum tipo de restauração, não é um dente virgem, ele já foi tratado, quer seja com resina ou porcelana, então, tem que ser avaliado o quanto de extensão da superfície do dente foi perdida para que ela seja substituída por uma ou mais facetas, ou por uma ou mais coroas.

A diferença disso é que a faceta recobre só a parte externa, a parte estética do dente, a coroa cobre a superfície inteira, depende da situação inicial do dente.

 

Como é o passo a passo para a colocação da faceta?

Erroneamente, as pessoas hoje em dia confundem muito a indicação de uma faceta e de uma lente de contato.

  • A lente de contato é uma faceta, só que é extremamente fina. O que muda de conduta e de preparo do dente é muito pouco, porque a lente de contato na verdade não precisa de preparo: você sobrepõe a superfície do esmalte, é uma técnica minimamente invasiva, visto que não usa uma broca, simplesmente sobrepõe;
  • A faceta precisa de um preparo, porque ela tem uma densidade e um volume maior do que a lente de contato. Ela requer que você remova uma superfície do dente e que esta superfície seja reposta posteriormente pela faceta. É preciso um preparo, um desgaste da superfície do dente para que seja colocada;
  • A coroa também precisa de um preparo e em todos os lados do dente, 

Para qualquer uma das opções citadas, há um preparo e moldagem em um centro especializado, que é um laboratório de prótese dentária. Neste período, o paciente fica com a lente, faceta ou coroa provisória. Isso é um método muito atual e de um retorno muito rápido, se o paciente quiser alguma alteração desta parte provisória e da parte final faz-se um mock-up, que é a prova antes de começar o trabalho. O mock-up é um guia o qual posso tirar do gesso e colocar na boca sem ter desgastado nada. Aí vamos conversando e direcionamento como vai ser o tratamento.

 

Como é feita a escolha do formato do dente?

Aqui na clínica se usa muito o DSD, que é um planejamento digital do sorriso. São feitas várias fotografias do paciente, do rosto e não só da boca, porque a boca é um contexto na face.

Sabemos que a estética mais próxima do perfeito é quando há uma harmonia entre o lado direito e o lado esquerdo da face. Vamos ter uma harmonia tanto nos órgãos pares: nos olhos, nas orelhas e na posição das sobrancelhas, quanto na posição tridimensional dos órgãos impares: o nariz e a boca, que é onde trabalhamos, então, a escolha dos dentes vai depender do tom de pele, da cor do cabelo, da posição entre a maxila e a mandíbula.

Inclusive é muito atual avaliar a parte psicológica e não só morfológica, não só estrutural. Pacientes mais sensíveis e mais arrojados, vamos escolher um dente mais quadrado.

O sexo também influencia demais. Às vezes, há mais de uma prova. Tem pessoas decididas, que nos chegam com as fotos de como elas querem ser, ou chegam com desenhos e dizem: “Doutora, eu não quero que seja arredondado e eu acho que eu gosto de ângulos retos”. Hoje, a discussão é muito mais produtiva do que se fazia há vinte anos atrás.

 

Você já chegou a negar o tratamento para algum paciente?

Já, principalmente para a turma muito jovem que nos procura. Às vezes, vem até escondido dos pais aqui e diz: “Olha, eu tenho um dente muito manchado e eu quero um dente branco”. Eu digo: “Ótimo, você já tem 18 ou 19 anos e  vamos fazer um clareamento”. Ou, muitas vezes,  a indicação é ortodontia e eles querem resolver rapidamente com a reabilitação oral. Eles vêm muito rapidamente depois que veem a reabilitação dos pais.

 

O desgaste do dente para a colocação da faceta pode ofender o nervo e trazer alguma consequência como, por exemplo, o tratamento de canal?

Para o preparo de faceta não porque é um preparo muito discreto, se for um dente rígido e que teve poucas intervenções ao longo do tempo. Agora, se é um dente que teve várias restaurações, já é um dente que tem uma cárie por baixo das restaurações e que está muito próximo do canal, pode acontecer de submeter um paciente a um tratamento do canal. Isso pode ser previsto em algumas situações. 

Quanto mais jovem for o paciente, mais risco ele tem de ir para um tratamento de canal, para qualquer tratamento odontológico. Isso ocorre porque a câmara pulpar que abriga o nervo é muito ampla e a medida que vamos envelhecendo, ela vai se atresiando.

Quando se prepara o esmalte, prepara a dentina, vai ficando cada vez mais distante num paciente mais velho. Muitos pacientes na terceira, quarta e quinta década de vida, não precisam usar a anestesia para fazer este preparo.

 

A gengiva pode inflamar com a colocação da faceta?

Pode sim,  a gengiva pode inflamar com ou sem a colocação da faceta, depende de quanto tempo o paciente despende para a sua higiene oral. Se é um paciente que tem déficit de higiene oral no seu próprio dente, ele tem placa bacteriana, pode ter tártaro próximo da terminação onde tem a faceta e gerar uma inflamação nos tecidos moles. Então, precisa ser muito bem orientado de como efetuar a escovação e a manutenção das facetas.

 

Fica um vão entre a faceta e a gengiva?

Não, o ideal é que a terminação seja em zero, a linha de cimentação tem que ser muito tênue entre a porcelana e o tecido dentário. Então, isso tem que ser de uma maneira que passe despercebido, tanto a olhos nus como não.

O cimento todo tem que ser retirado, tem que ser feito um bom polimento, senão o paciente pode ter inflamações e infecções recorrentes deste tecido e o paciente que vai chegar para você depois de algum tempo e dizer: “Eu tenho mau gosto na boca”, ou, “Minha gengiva sangra”. Isso ocorre porque existem qualidades diferentes de tecido mole e precisa ser muito bem avaliado.

 

Existe algum cuidado especial na higiene?

Não, o fio dental e a escovação. Comeu tem que escovar os dentes.

Se o alimento fica na boca, ele vai criar tártaro, placa e vai formar algum prognóstico nocivo. Precisamos saber onde quebrar essa cadeia porque a bactéria a gente tem, a boca é uma área contaminada. Mas se eu não tiver resto alimentar ali, eu não vou desenvolver.

 

É confortável para se alimentar?

Não me refere. Se a gente pega um paciente que a gente tem que aumentar o comprimento dos dentes, neste caso, ele tem dificuldade para cerrar os alimentos. Ele pode ter dificuldade na fala e essa mudança tem que ser muito, muito bem estudada, muito bem documentada e passada para o paciente. Nada que vá criar um desconforto permanente, mas esta fase de adaptação para as  reabilitações maiores pode acontecer.

 

Qual a durabilidade da faceta?

Damos uma previsibilidade para o paciente, nunca vamos dizer “esse é o último jogo que você vai fazer na sua vida”. Ele tem que saber que ele está fazendo uma prótese e está substituindo o dente natural.

A longevidade, os cuidados, são os mesmos que ele teria que ter com os dentes naturais dele. Eu vou te falar uma coisa: eu tenho casos de 20 anos atrás que nem era feito no Brasil. Chamamos a pessoa no controle e ficamos felizes de saber que é uma pessoa mais cuidada.

Tem paciente que depois de três anos estragou a prótese e diz: “Mas eu fui abrir uma garrafa.” ou “Eu mordo caneta”. Há pacientes que têm bruxismo ou têm apertamento dental. Para esses pacientes temos que usar outros termos e, de repente, fazer uma reabilitação com faceta pode não funcionar.

A primeira coisa é nivelar os dentes, deixar numa boa oclusão e tirar o paciente de uma crise. Se for um paciente desfuncionado que tem problemas na articulação temporomandibular, precisa receber um tratamento um pouco mais complexo do que simplesmente as facetas. 

 

Se o paciente ficar por um tempo e não se acostumar,  poderá removê-la?

Não, a faceta requer preparo, uma vez que eu não tenho mais esmalte, eu não tenho mais uma parte desse esmalte. Se eu remover, vou deixar o dente suscetível a cárie e esteticamente imperfeito. É um tratamento irreversível. Mesmo a lente de contato dizem: “se não gostar, tira”. O tipo de cimentação que é usada é adesiva e resinosa. 

Eu costumo dizer para o paciente que é irreversível.

 

O tratamento dói?

O tratamento não dói, hoje nós temos uma gama incrível de analgésicos para o preparo dos dentes, ou seja, o paciente pode passar um período desconfortável, com dor e sensibilidade, mas isso tende a ser minimizado com a aplicação de laser, com indicação de flúor pós-tratamento.

 

Pode haver infiltração ou cárie por baixo da faceta?

Se for bem cimentada e bem conduzido o trabalho, não. Agora, a faceta recobre a parte externa do dente, o paciente pode ter uma cárie na parte de dentro da boca.

 

O paciente precisa fazer clareamento para a colocação da faceta?

Eu sempre indico, principalmente se for colocar a lente de contato. É como se o paciente fosse colocar uma roupa e precisa de um forro, porque essa roupa é transparente. Então, quanto mais claro estiver por baixo, melhor resultado vai ter.

 

Quanto tempo dura o tratamento?

Depende muito. Se for um caso simplesmente de faceta e lente de contato conseguimos terminar em 5 dias.

 

Qual a diferença da faceta de resina e de porcelana?

Uma é plástica e a outra vítrea. A indicação de uma ou outra depende dos hábitos alimentares. O que o paciente consome? Suco com frutas vermelhas, comida japonesa com shoyu e aceto balsâmico na salada. Então, a resina, por melhor que seja o material, não conseguirá ter a qualidade de uma cerâmica.

Estou falando da composição física e química do material, fora translucidez de refração de luz, que bate numa porcelana, que se assemelha muito ao dente natural.

Sem dúvida nenhuma, o sucesso de um tratamento estético é aquele que passa despercebido. É o que vai gerar um resultado de cor e de forma do dente, mas que o paciente volte à sociedade e que ninguém pare perguntando: “o que você fez na sua boca?”, isso não é um bom resultado.

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