Médico em Casa

Aparelho ortodôntico infantil

Entrevista com a Odontopediatra
Dra Ludmila Rosa
CRO/SP: 61.170

Silmara Biazoto

Qual a diferença da Ortopedia Funcional de Maxilares para a ortodontia?

A ortopedia é uma especialidade da Odontologia, na verdade uma especialidade recente, antigamente estava englobada pela ortodontia.

O profissional saía com o diploma de cirurgião dentista e fazia a especialização como ortodontista. Então, o dentista que fazia ortodontia trabalhava com essa área e também com a ortopedia, porém há alguns anos as áreas foram divididas por envolverem técnicas diferentes.

A ortopedia não necessariamente trata da correção dentária, ela cuida do crescimento ósseo da criança, então, muitas vezes se percebe que a criança tem os dentes tortos ou mal posicionados por uma questão óssea.

Quando se fala em criança, ela está crescendo, então, existe a força natural do crescimento e a ortopedia aproveita justamente essa força, direcionando-a. Portanto, pode-se dizer que a ortopedia não trabalha com força.

Como o dente funciona? Ele está numa posição, o aparelho vai encostar nele, e o que o dente entende? Nada tem que encostar em mim, ele se movimenta e assim sucessivamente até ir para a posição correta. Por isso, se fala que não é força, mas orientações do que se quer.

O que é legal é que o dente vai e depois o corpo o acompanha, portanto a chance de recidiva é menor.

Nós sempre orientamos as mães de que não vamos corrigir o dente torto das crianças. Esse não é o objetivo principal, mas algo que está na sequência.

Às vezes eu brinco que é um bônus! Nesse caso, a ideia é arrumar a parte óssea, pois girar um dente é muito fácil.

A idade do paciente e o tipo de aparelho são aspectos que dividem as duas formas de tratamento?

Na verdade, para todos os casos se tem as duas opções de tratamento, ou seja, se pode usar a ortodontia ou a ortopedia.

O que divide é o perfil da criança, o perfil da família e até o perfil do profissional e da técnica que ele gosta de usar, mas a ortopedia está mais relacionada à idade do crescimento, não que os outros não possam fazer o tratamento com a ortopedia, mas o resultado é mais lento, já quando se trabalha com a criança, o resultado é mais rápido.

A chance de recidiva é mais lenta porque não se está adicionando força. Pode-se dizer que a ortopedia é uma força natural e a ortodontia, uma força mecânica.

Qual a idade ideal para se procurar pelo tratamento?

Costuma-se dizer o seguinte: “Quanto mais novo, melhor o resultado” por dois motivos:

  • O primeiro porque tem todo o crescimento borbulhando, então, há uma força maior. Por exemplo, nas meninas, quando chega a menstruação, esse crescimento já é menor, o crescimento ósseo é menor, a resposta é menor e o resultado também é menor.
  • O segundo fator e eu percebo muito no dia a dia do consultório é a cooperação da criança, dependendo da idade, como a ortopedia na maioria dos casos está ligada a aparelhos móveis e volumosos, a criança não quer utilizá-lo o tempo todo.

“Tem que ter a colaboração da criança e da família, quanto mais horas na boca, melhor o resultado”. Se o caso for de uma criança numa idade um pouco mais pré-adolescente, ela começa a não querer usar o aparelho, porque incomoda para falar, já para a criança é mais fácil.

Há profissionais que dizem que o momento ideal para usar o aparelho é depois da formação dos dentes permanentes da frente. Nesse sentido, a troca dentária é muito mais para o pai e a mãe visualizarem o problema do que para o dentista.

Pelos exames, estudos e medidas, nós profissionais sabemos que a conta não vai fechar. Na verdade, há casos que se percebe que está chegando o momento da troca dentária e que não há espaço, por isso é um tratamento preventivo – cuida-se antes dos pais verem o problema.

Quais os desequilíbrios que a Ortopedia Funcional dos Maxilares resolve?

Na criança o que ocorre muito é a mordida aberta por uso excessivo de chupeta, crianças que sugam o dedo e um pouco de mamadeira. Então, há crianças que têm esse hábito e é uma questão cultural, percebe-se isso no dia a dia, que com o uso prolongado, a mordida fica aberta, que é muito comum de se perceber em crianças pequenas.

No entanto, ela é fácil de resolver. São aparelhos muito tranquilos, mas que precisam ser usados com frequência, nenhum aparelho da ortopedia funciona se for usado só para dormir, se for usado apenas por poucas horas.

Outro tratamento é o da mordida cruzada, normalmente ocasionado por uma maxila atrésica, que é mais estreita.

Nesse caso o que acontece é que o dente inferior se posiciona trocado no superior, então se tem a mordida cruzada. Anterior é quando se tem aquele queixo pra frente.

O que as pessoas se incomodam esteticamente é que em alguns casos a mordida anterior é uma questão de posicionamento dentário, mas tem situações em que há uma tendência da mandíbula maior, de crescer mais.

Nesse caso, é preciso entrar com um aparelho de uso frequente, porque há uma mandíbula trocada e se ela tem um potencial de crescimento maior, geneticamente falando, não tem freio. Por isso, o paciente precisa de um aparelho para segurar o movimento.

O outro tratamento é o para a mordida profunda. O paciente tem os dentes superiores cobrindo os inferiores e isso acontece numa boca que está perfeita esteticamente.

Uma criança que tem a mordida profunda só vai conseguir fazer o movimento de charneira, abertura e fechamento.

Ela não consegue fazer a lateralidade, o esfregaço do alimento, não estimula a questão muscular e óssea e no futuro, crianças com mordidas muito profundas, começam a ter problemas de ATM, pois se trata de uma boca travada, que não tem o movimento.

E por que hoje isso acontece muito com as crianças? Porque elas não se alimentam corretamente. Quando nós éramos criança, chupávamos laranja, manga, comíamos o pão dormido, tínhamos uma alimentação mais fibrosa e as crianças hoje não têm.

É uma questão cultural, hoje elas comem tudo muito pastoso, fibroso, fácil. “Costumamos sempre pedir para as crianças se alimentarem bem não só no sentido nutricional da coisa.

É necessário um exercício, a alimentação precisa ser fibrosa, pois assim ela vai aprender a mastigar e com essa mastigação vai fazer todo esse desenvolvimento”.

As pessoas não conseguem perceber isso. O céu da boca é o teto do nariz, quando há uma maxila estreita, a via aérea superior é muito estreita. A criança tem dificuldade de respirar. Tem alguns aparelhos que visam pegar o céu da boca e ajustar essa posição para melhorar a capacidade respiratória da criança.

Quando a criança tem o queixo para frente, a coluna, o rosto e todo o corpo estão envolvidos, é um alinhamento total, por isso que se chama ortopedia, se trata a boca, mas tem uma questão do conjunto.

A maioria dos dentistas que fazem a ortopedia está muito relacionada com a odontopediatria ou são profissionais que têm as duas especialidades e no dia a dia começam a perceber.

O que acontece é o seguinte: O odontopediatra que acompanha a criança desde pequena tem a visão do crescimento, ele observa se o crescimento e a troca não estão em momentos bons, pede uma radiografia e vai acompanhando.

O aparelho é uma questão familiar porque o dentista precisa acompanhar, a criança tem que colaborar e às vezes o momento do dentista não é o momento da família.

Porém, é importante a família saber que existe aquela questão, aquela má oclusão e que a criança vai precisar de tratamento e juntos, família e profissional, começam a pensar no melhor momento. “Para o dentista o melhor momento é aquele que se detecta”.

Anunciar é a melhor forma da sua marca ser lembrada.  Entre em contato conosco, clique aqui.

Deixe uma resposta

Fechar Menu