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A voz reflete quem somos

Entrevista com a fonoaudióloga
Mara Behlau
CRFa:2-2613

Como a voz influencia um profissional a atingir seus objetivos?

A voz é o meio carregador da mensagem. Pela voz carregamos emoções e sentimentos, provocamos respostas e reflexões. Esse som carregador é a primeira coisa que chega ao ouvido do outro. Então, quando conversamos com alguém, recebemos a mensagem dentro deste invólucro que é a voz.Se é uma voz bonita, agradável e que passa energia e alegria fica muito mais fácil fazer conexão com o outro. Quero dizer que nós esperamos que exista uma integração entre corpo e voz e, quando isso não acontece, chama a atenção do nosso cérebro e causa estranheza.

O que um profissional carrega na voz?

A importância da voz no mundo das organizações é muito grande para o desenvolvimento da carreira. Apenas nos primeiros níveis de uma carreira, a voz não tem impacto elevado, mas a medida que há um avanço, o que mais se cobra é a gestão de pessoas e gestão de ambiente. Muito disso nós fazemos pela habilidade de se comunicar, na qual a voz é um dos elementos mais importantes.

O estilo da voz deve ser natural?

O estilo da pessoa deve ser natural, uma das primeiras coisas que o nosso cérebro detecta é a autenticidade e a naturalidade. Então, a pessoa pode fazer um curso de como falar em público e como se portar em reuniões, mas é necessário incorporar isso dentro do próprio estilo, se ele não for natural e for forçado e artificial, o ouvinte sinaliza e a pessoa perde credibilidade.

Todos nós nascemos com habilidades de produzir sons. O choro ao nascimento é um dos eventos mais esperados da nossa vida, mas ao longo das décadas e dos anos, nós vamos formando uma voz que nos representa e que sofre um impacto muito grande da nossa personalidade.

Pessoas introvertidas têm um tipo de voz, pessoas extrovertidas outro, pessoas mais autoritárias, mais amigáveis, todas essas informações de traços de personalidade passam pela voz.

O uso correto do idioma no dia a dia pode parecer forçado? Pergunto porque com a rapidez e interatividade, a comunicação está dinâmica e no geral as pessoas estão sempre encurtando tudo.

O fato de editarmos e falarmos simples é um privilégio, é sofisticado falar simples. Eu tenho que falar de um jeito que atinja o maior número de pessoas, mas não falar errado e não retirar o s, o r e o pronome das frases. Trata-se de manter a integridade do português e isso é chamado de nível linguístico.

Acho que somos responsáveis por manter a integridade do português. Então, dou aula de comunicação para negócios e falo: “eu não pude vim” não existe; “Pra mim fazer”, mim não faz nada! São coisas simples que doem no ouvido do interlocutor. Se ele é um contratante, tenha certeza de que isso vai comprometer sua imagem. Outros exemplos: “a nível de diretoria” e “a nível de gerência” a nível é só do mar, o resto é pela gerência e pela diretoria.

Muitas vezes eu tenho que integrar o meu nível ao do interlocutor. Se estou numa situação mais formal com pessoas de alta hierarquia, acabo sendo mais formal também, se estou numa situação mais simples, mais relaxada, acabo sendo mais informal, mas de qualquer maneira, a integridade do português tem que estar sempre respeitada e fale simples, é sofisticado falar simples.

Desafinação na voz ou gagueira são situações em que a pessoa deve procurar por ajuda. É um tratamento difícil ou demorado?

Podemos ter vários problemas da comunicação oral. Então, às vezes escapa muito ar, às vezes a voz é muito densa, às vezes é muito fininha e não combina. Tudo isso tem ajuste, reabilitação e tratamento.

A gagueira é um distúrbio da reabilitação da fala em que a pessoa não encadeia as palavras nas frases. É um problema que tem tratamento, muitas vezes não se consegue uma cura completa, mas se consegue um tratamento suficiente para que a pessoa enfrente o desafio da comunicação com bom resultado. Infelizmente tanto a gagueira quanto a voz fanhosa e outros distúrbios da comunicação são motivos de piada.

Agora, além dos distúrbios em si, o aperfeiçoamento da comunicação oral é muito importante porque a comunicação é ferramenta e ela também é arma. Existe uma relação extremamente interessante entre a habilidade da comunicação e a violência, quem se comunica melhor é menos violento e também sofre menos violência da sociedade. A violência que o gago sofre, que o fanho sofre em termos de bullying e piadinhas é muito grande.

Eu posso reduzir o impacto de um distúrbio de comunicação e ter uma melhor integração social e profissional.

Ser simpático faz parte dos cuidados com a comunicação? É possível mudar isso?

(Risos) Eu gostaria que todos fossem simpáticos e otimistas, mas é difícil. Por que a simpatia é importante? Ela é importante porque a simpatia e o sorriso aproximam as pessoas e toda vez que tem alguém mais próximo, a comunicação fica mais fácil. O pessimismo e a cara amarrada afastam as pessoas e então eu dificulto a comunicação.

Nós somos divididos em otimistas, pessimistas, extrovertidos e introvertidos. O pessimismo e o otimismo vêm mais ou menos definidos na nossa loteria genética, com atividade específica de uma área cerebral que está no lobo frontal. Então, na verdade tenho uma certa tendência que posso modular.

Qual a vantagem de ser otimista? O otimista melhora o ambiente, é mais criativo e aproxima mais as pessoas, então tem mais chance de troca. Tem desvantagem também, o otimista vê sempre o lado bom das coisas, então às vezes corre riscos por não se atentar aos detalhes e, muitas vezes, o otimista tem uma tomada de decisão rápida demais, sem avaliar as consequências.

Qual a postura do profissional bem sucedido?

Em primeiro lugar, o profissional bem sucedido aproveita toda e qualquer possibilidade de comunicação, não deixa de aproveitar as oportunidades. É uma festa de confraternização ou seminário e ele se coloca. Além de aproveitar a oportunidade de comunicação, ele fala de modo assertivo e direto. Quando não somos assertivos, enrolamos e fazemos rodeio, a pessoa sai da conversa e fala “Foi elogio ou crítica?”. Como podemos sair de uma conversa com dúvidas?

O contrário do não assertivo e submisso é o agressivo. Se tenho uma comunicação agressiva, eu afasto as pessoas.

Os profissionais bem sucedidos aproveitam a oportunidade de comunicação, são assertivos e têm uma escuta muito boa. O bom comunicador é sobretudo, um ouvinte atento. Ele ouve não somente o que está nas palavras, mas o que está no tom da voz, na expressão facial e nos gestos.

Eles filtram as informações que devem ser veiculadas naquele momento e são sensíveis: Ah, o que eu posso dizer aqui, o que eu não posso, quem está me ouvindo, o que esta pessoa pode ouvir e o que ela precisa ouvir. Eles estão enfrentando os desafios das mídias sociais e o papel delas no trabalho.

Eu considero, Silmara, uma responsabilidade social de todos nós desenvolvermos a comunicação, porque o nosso cérebro veio formatado para trabalhar no social. A nossa área da comunicação no cérebro é enorme, com grande representação de estruturas. Então, nós viemos com uma configuração neste nosso computador de realmente trabalharmos em grupo, de nos comunicarmos. Trabalhar com a qualidade da comunicação traz qualidade de vida, traz satisfação e felicidade.

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Este post tem 3 comentários

  1. Etena Diva , imersão total sobre ferramentas d as comunicação.

    Não me canso de ouvir e aprender

    Minha eterna admiração:

    Dra Mara Behlau

    Seu aluno

    JP

    1. Olá Joel,
      Que bacana seu comentário! Compartilhe e entrevista do nosso portal http://medicoemcasa.info com seus amigos.
      Até mais!

  2. Sou bastante satisfeito para descobrir nesta página. Preciso Obrigado para
    seu tempo por isso maravilhoso ler!!!! Eu definitivamente
    amava cada pouco de-e eu tê-lo salvou a fav para verificar novo coisas em seu blog.

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