Médico em Casa

Prevenção de Doenças

Bons hábitos & Check-up

Formas de identificar manchas malignas

Entrevista com a dermatologista 

Dra. Tatiana Gabbi

CRM/SP: 104.414

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), todos os anos surgem mais de 176 mil casos de câncer de pele no país. Como essa doença pode se manifestar?

Se for o câncer de pele melanoma, pensamos no ABCDE:

Assimetria – quando uma pinta não é igual de um lado e do outro, ou a parte de cima é diferente da debaixo;

Borda – Ao contrário da pinta benigna, que tem a forma arredondada, as bordas são irregulares, parecendo um mapa;

Cor – A pinta benigna tem apenas uma cor. Já a maligna, que é o melanoma, tem mais de uma cor que vai variar entre branco, bege, marrom e preto – são várias cores associadas.

Diâmetro – quando a lesão tem acima de 0,6 milímetros, que corresponde ao tamanho da borrachinha do lápis,  é necessário ficar mais atento.

Evolução – As pintas benignas não mudam com o tempo, elas aparecem e ficam do mesmo jeito, já o melanoma pode crescer e mudar de aspecto.

Do ponto de vista do câncer de pele não melanoma, o que temos são feridas ou lesões feiosas que sangram com facilidade e não cicatrizam. Parece que a pessoa se machucou e não está melhorando com o tempo.

 

É uma mancha que chama a atenção da família?

Geralmente são manchas que chamam a atenção do cônjuge, do filho ou da mãe. Uma consideração na consulta é quando o próprio paciente ou alguém da família vem se queixando de uma determinada lesão, aí temos que prestar atenção. Há estudos mostrando que na maior parte dos cânceres de pele, quem faz o diagnóstico é alguém da família ou o próprio paciente. Outra coisa que levamos bastante em consideração é o “sinal do patinho feio”, ou seja, a pessoa tem uma série de pintas ou lesões na pele e uma chama muito a atenção do médico no exame físico. 

Outra coisa que é fundamental é o fato de que a pessoa que tem risco para câncer de pele ou nunca passou por um dermatologista, nunca foi examinada, tem como recomendação uma passagem anual ao dermatologista para fazer este exame. No caso do paciente que não tem risco, é preciso ir pelo menos uma vez na vida ao especialista para saber que não tem esse risco.

 

Qual o paciente que tem o maior risco?

O paciente de risco para câncer de pele é aquele que: tem pele e olhos muito claros  porque isso está relacionado à melanina e ao grau de proteção solar de nascença ou que tenha mais de 15 sinais na pele. Nestes casos, precisamos ver isso mais de perto, além do histórico pessoal e familiar de câncer de pele.

 

Qual o percentual de cura?

Podemos falar de cura completa quando pegamos uma lesão inicial. Por pior que seja, se pegarmos uma lesão inicial que está restrita à pele, conseguimos curar este paciente na esmagadora maioria dos casos.

 

Em todos os tipos, a exposição excessiva e sem proteção ao sol é a principal causa do câncer de pele?

Sem dúvida. O fator de risco mais evidente do câncer de pele, fora o aspecto familiar e a tendência individual, é a exposição e isso podemos mudar. Recomendamos que a exposição solar seja feita com muita parcimônia, inclusive o slogan da nossa campanha é “se exponha mas não se queime” , porque ao se queimar há um aumento muito grande do risco de câncer de pele do tipo melanoma, que é o mais grave que temos.

O conjunto de atitudes que não é somente aplicar o protetor solar, é se expor ao sol mais saudável até às 10h e depois das 16h, ficar debaixo de guarda-sol, usar óculos escuros, chapéu ou boné e camiseta.

 

A camada de proteção do filtro solar tem que ser grossa?

Para a forma correta de aplicar o filtro solar, a pessoa teria um frasco durando entre 03 ou no máximo 04 aplicações, aplicando uma camada muito espessa. Por isso que às vezes o dermatologista pede para usar um fator de proteção mais forte, porque no uso típico (passar uma camada fina) fica com uma proteção adequada que é por volta do fator 30. Outra coisa, recomendamos reaplicar toda vez que a pessoa fizer muito esforço físico, suar e depois de 2 a 3 horas também reaplicar independente do filtro ser a prova d’água porque são situações em que  vamos compondo as camadas de proteção.

 

O couro cabeludo precisa de proteção?

Sem dúvida. O couro cabeludo é uma das áreas em que pode ocorrer o surgimento do câncer de pele. Inclusive nos últimos anos isso aumentou bastante. 

Quanto à detecção e o diagnóstico dessas lesões, pessoas que têm menos cabelo e são brancas estão mais sujeitas, então, para esses pacientes recomendamos que se use o boné ou chapéu quando for à praia para evitar a exposição direta.

Veja também

Deixe uma resposta

Fechar Menu