Médico em Casa

Alergia e intolerância à lactose

Entrevista com a alergista e infectologista da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia)
Dra Ana Paula Moschione Castro
CRM/SP: 69.748

Silmara Biazoto

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia fez uma campanha para esclarecer a população que a “lactose não causa alergia”. Então, vamos falar da diferença entre alergia e intolerância à lactose.

É muito importante diferenciar essas duas situações. A intolerância à lactose é um problema do açúcar do leite e está relacionado ao intestino. É uma incapacidade que o intestino tem de digerir esse açúcar. É mais comum nos adultos e é importante saber que os sintomas são sempre gastrointestinais.

A alergia à proteína do leite de vaca está em outro cenário. É um comprometimento da proteína do leite e é ela que estimula o sistema imunológico. Então, o sistema imunológico entende a proteína do leite como inimiga e cada vez que que o paciente toma, ele elabora um ataque que gera sintomas, que podem inclusive pôr a vida do paciente em risco.

 

Quais os sintomas de quem tem alergia ao leite?

O que é importante que as pessoas saibam é que estes sintomas ocorrem no máximo até duas horas após a ingestão do leite. Então, não adianta o paciente falar: “Acho que é o leite porque ontem eu tomei”. São sintomas imediatos na pele, como vermelhões e inchaços. Pode haver sintomas respiratórios como um desconforto, rouquidão e dificuldade para respirar, isso caracteriza uma anafilaxia, que é essa resposta imediata que coloca o paciente em risco. Também pode haver sintomas gastrointestinais de cólica intensa e diarreia.

Na alergia, os sintomas são bastante variados e podem mudar de acordo com a idade da criança e do adulto.

 

O paciente corre risco de morte?

O paciente corre risco de morte na alergia por causa dessa proteína IGE. Ela pode suscitar uma resposta intensa nos vasos que dilatam todos no mesmo instante, faltar sangue e aí o paciente pode morrer de choque.

 

Suspende-se a ingestão do leite e está resolvido?

Quando o paciente tem alergia ao leite, o que eu vou dizer? “Suspenda o leite”, mas também não é tarefa fácil. O leite está em diversos alimentos que nem sempre ficam claros para a população: chocolate é leite, manteiga é leite e produtos industrializados contêm leite.

Hoje temos uma nova legislação de rotulagem que nos ajuda bastante, mas ainda assim nem todos os alimentos estão rotulados.

É importante saber que cosméticos podem ter leite, medicamentos podem ter leite e a tudo isso o paciente precisa estar atento e avisado para você não ter o que a gente chama de escape involuntário.

 

Mesmo em pequenas quantidades pode haver reação?

No caso da alergia sim. Existem pacientes que são mais suscetíveis à reação a quantidades realmente mínimas, mas outros não. Em um primeiro momento, orientamos essa exclusão para todo mundo, depois cada paciente mostra o quanto pode ser um pouco mais flexível ou não.

Na intolerância, a história é completamente diferente. Na intolerância à lactose existe quantidades que vão desencadear ou não esse sintoma.

Na intolerância, o paciente toma o leite sem lactose e na alergia tudo que é leite está fora.

 

É possível cessar a alergia à proteína do leite nas crianças ao longo dos anos com o crescimento?

Cerca de 80% das crianças voltam a tolerar o leite.

 

Quais os sintomas do paciente que tem intolerância à lactose?

O paciente perde a lactase e ela não volta mais. Geneticamente vai evoluindo, vai crescendo e o corpo vai mudando e a produção de lactase diminui, isso é genético. O paciente vai crescendo e percebendo que o leite não cai bem, não se sente bem, começa a se instalar uma intolerância à lactose.

É importante que todos saibam que ela vai se instalando por uma característica genética ao longo da vida, ela passa a ser muito mais comum a partir de quando somos adolescentes e adultos, e aí, mais uma vez, os sintomas dependem da quantidade e da característica do produto.

Como curiosidade, por exemplo, o queijo amarelo, apesar de ter muita proteína, não tem nada de lactose, tem bem menos lactose, então, o paciente o tolera, mas o leite não.

E o que é não tolerar? É tomar e ter gases, distensão abdominal, diarreia, às vezes dor de cabeça, às vezes obstipação, quer dizer uma série de sintomas, mas sempre focado no trato gastrointestinal. É um desconforto, isso ninguém discute, mas não há risco.

 

Existe um controle medicamentoso no caso de intolerância?

A intolerância à lactose é um problema da lactase, enzima que digere a lactose e que o paciente pode repor. Então, 30 minutos antes de ir para um evento, uma festa que o paciente acha que pode ter alguma alimentação com leite, toma essa lactase e fica mais protegido, não é um tratamento, é uma reposição.

 

Pode tomar com frequência?

Pode tomar com frequência. Na prática do dia a dia o que às vezes os pacientes falam é: “Nem sempre adianta tanto quanto eu gostaria”. Então, percebo que nem sempre se deve ficar tomando todo o tempo, é mais em situações especiais.

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