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Anabolizantes: bomba tô fora

Entrevista com a Endocrinologista, Metabologista e especialista em Medicina do Esporte

Dra Andrea Messias  Britto Fioretti

CRM/SP: 61.414

 

O que são os anabolizantes, como e de que forma eles agem?

 
Os anabolizantes pertencem a uma classe de medicamentos que age para aumentar o corpo de alguma maneira. Na maior parte das vezes, servem para aumentar a massa muscular, mas também pode haver um aumento de massa gordurosa.
 
 

Quem usa os esteroides anabolizantes?

 
Estima-se que no Brasil existam 6 milhões de usuários. Estatísticas americanas mostram que 6% dos usuários de ensino médio usam anabolizantes e, dentre esses usuários, há um dado bastante interessante: eles se consideram abaixo ou acima do peso ideal. A questão do protótipo de beleza é extremamente importante para determinar a utilização do anabolizante. 
No Brasil, o que temos ainda é que 30% dos professores de faculdades de Educação Física são usuários de anabolizantes, então, tanto eles usam como ensinam seus alunos, propagando essa utilização.  
É ter o corpo perfeito como o protótipo do homem e da mulher bem-sucedidos.
 
Para se ter uma noção disso, a pessoa que tem alguma alteração na testosterona utiliza uma ampola a cada 21 dias. Estes usuários passam a usar uma ampola por dia durante  2 a 3 meses para ter esse ganho exagerado de massa e força musculares.
 
 

Qual a consequência disso?

 
Os efeitos são:
–  A diminuição da fertilidade em homens com menos de 40 anos. O que se tem é que 40% deles foram usuários de anabolizantes;
 
– Eles são extremamente agressivos, sendo indivíduos que se envolvem em brigas e em conflitos com muito mais frequência;
 
– Eles têm uma sensação de menor risco. Existem trabalhos mostrando que eles têm um risco maior de contaminação por HIV, por hepatite C e outras doenças porque se sentem imbatíveis;
 
– Existe uma alteração neurológica. Alguns estudos mostram a morte de células e com isso levam à dependência. 57% dos usuários são dependentes dos anabolizantes e desses, 30% se tornam também dependentes de outras drogas como álcool e cocaína;
 
– Existem alterações cardíacas e hepáticas, incluindo casos de câncer no fígado;
 
– As mulheres podem ter um aumento do clitóris e uma alteração na voz que é irreversível; 
 
-Nos homens há uma atrofia no testículo, estímulo de crescimento de mamas e aí eles entram numa “verdadeira armadilha” de medicamentos para evitar os efeitos colaterais.

 

O uso dos esteroides anabolizantes é mais conhecido pela melhora da performance de atletas? 

 
O grande problema é que o não atleta não tem nenhuma fiscalização, então ele toma achando que vai ter só benefícios, que os riscos são contornáveis e isso não acontece.
Os recursos dos atletas usuários são incríveis e muitas vezes a avaliação de dopagem não é feita exatamente no momento em que o uso de anabolizantes seria detectado. Assim, o exame é feito no momento em que o anabolizante está numa quantidade inferior no sangue, não sendo detectado.
 
 

Há um controle para a venda no Brasil?

Deveria haver, mas o que temos visto é uma venda indiscriminada. Infelizmente esse controle não está sendo efetivo. 
 
 

Como são produzidos os anabolizantes?

Por volta de 1900, um pesquisador extraiu a testosterona do porco e injetou nele mesmo, percebendo uma melhora da capacidade física. A partir daí começou a produção em laboratório da testosterona e não mais a partir de animais. Passou-se a ter alguns compostos para que pudesse ser utilizada por via oral e intramuscular.
 

Existe uma dose que pode ser aceitável?

Não, não existe nenhuma dose segura para a utilização do anabolizante para essa finalidade, isso é um grande mito na população.
 

Existe ajuda para quem deseja parar de usar?

Nós estamos desenvolvendo no ambulatório de endocrinologia da Escola Paulista de Medicina, um espaço para tratamento de usuários de anabolizantes. Não há nenhuma intenção de crítica a quem fez a utilização, nós queremos ser um canal de informação e ajuda a quem deseja parar e não sabe como fazer isso. O projeto “Bomba tô fora” é justamente para que as pessoas façam escolhas conscientes em relação ao uso de esteroides anabolizantes. 

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