Médico em Casa

Como cuidar do coração

Entrevista com o cardiologista
Dr. Silvio Reggi
CRM: 107.752

Silmara Biazoto

A pessoa que leva uma vida sedentária está mais propensa a ter quais doenças relacionadas ao coração?

Sem dúvida nenhuma, o sedentarismo é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

Uma pessoa que não pratica atividades físicas em quantidade adequada, está mais propensa a desenvolver:

  • Hipertensão;
  •  Diabetes;
  • Obesidade;
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC); 
  • Infarto agudo do miocárdio.

Então, hoje em dia, consideramos fundamental a prática de atividades físicas, principalmente aeróbicas, na prevenção de doenças cardiovasculares.

 

A atividade física diminui as chances de o indivíduo desenvolver essas doenças. Podemos quantificar isso?

É muito difícil falar individualmente em cada doença porque não dá para saber o quanto cada um está fazendo de atividade física, mas vou colocar de outra maneira.

Por exemplo, pessoas que começam a praticar atividades físicas aeróbicas antes dos 35 anos de idade e conseguem completar 150 minutos por semana, essas pessoas chegam a ganhar, em alguns estudos, até sete anos de vida, independentemente da doença que estivermos falando.

 

Quais são os sintomas que indicam que alguma coisa vai mal?

Existem vários sintomas que indicam que a vida vascular de uma pessoa não vai bem. Desde coisas inespecíficas até sintomas muito bem relacionados à doença cardíaca como a dor no peito ou fadiga exagerada durante o exercício físico. Esses sintomas estão relacionados a uma doença cardiovascular.

Quando falo em exercício físico, não estou falando na prática de esportes, falo de uma atividade mais intensa, como subir uma escada ou fazer uma caminhada mais rápida, no dia a dia mesmo.

A percepção de que a saúde cardiovascular não vai bem pode vir bem antes, quando a pessoa percebe que está desenvolvendo os fatores de risco relacionados à saúde cardiovascular. Porque tratar o coração não significa tratar somente no momento que a doença já se instalou, significa prevenir o aparecimento da doença.

A pessoa sabe que vai desenvolver a doença cardiovascular quando está engordando, inativo, fumando e os parâmetros metabólicos como glicemia e colesterol estão fora dos considerados ideais. Então, nunca deve-se esperar desenvolver um sintoma para procurar um médico, porque nesse caso o paciente ja passou do momento que é o melhor para o tratamento, que é a prevenção.

Hoje em dia sabe-se que essa prevenção começa muito cedo, talvez na infância. As crianças que foram obesas tornam-se frequentemente adultos obesos e desenvolvem a doença cardiovascular mais precoce.

A prevenção vem desde sempre, além disso, sabemos que as crianças que são estimuladas a ter uma atividade física de maneira regular e que tenham pais com atividade física regular, também têm uma chance maior de se tornarem adultos ativos. 

 

O álcool e o tabagismo acentuam a probabilidade de desenvolver um problema cardiovascular?

O tabagismo não há a menor dúvida, ele aumenta muito a incidência de infarto e de Acidente Vascular Cerebral e, em alguns grupos de pacientes é o principal fator de risco, como nos jovens.

Além do tabagismo, vai contribuir o tempo de colesterol alto, o tempo de pressão alta e o próprio envelhecimento, que não temos como modificar e é um fator de risco.

Para o álcool existe alguma controvérsia, mas o que sabemos é que doses pequenas moderadas no consumo de vinho tinto talvez tenham um efeito protetor. O grande ponto é que não deve ultrapassar uma dose por dia, cerca de 200 ml de vinho tinto.

O alto consumo concentrado aumenta o risco de desenvolver um infarto num curto prazo.
A famosa bebedeira do fim de semana, nas horas que precedem essa bebedeira, o risco de um infarto está muito aumentado em relação a uma condição considerada basal.

O álcool pode ser ruim se for consumido de maneira inadequada, mas está bem longe de ser um problema comparado ao cigarro, esse sem dúvida é o vilão.

Gostaria de aproveitar e falar sobre as drogas usadas pelos jovens, principalmente a cocaína que é consumida entre adultos e jovens. É um dos problemas relacionados ao desenvolvimento de infarto em jovens especificamente.

É um número pequeno, mas é uma faixa etária que não é para ter problema cardiovascular. Sempre que os cardiologistas se deparam com infarto em pacientes jovens, abaixo de 30 anos de idade, sempre vem à cabeça a pergunta sobre o uso de drogas, principalmente a cocaína.

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