Médico em Casa

Doenças renais

Entrevista com a Nefrologista
Dra Maria Cláudia Cruz Andreoli
CRM: 83.494

Silmara Biazoto

Mais de cem mil pessoas estão em diálise no Brasil neste momento. Quais são os indícios de que algo não vai bem com os rins e de que a pessoa precisa de tratamento?

O problema da doença renal crônica é que ela é muito traiçoeira, ela dificilmente apresenta sintomas nas fases iniciais, o  paciente é assintomático. É necessário procurar mais ativamente o diagnóstico e focar em pacientes que têm fator de risco para doença renal crônica.

 

Quem são os pacientes que têm o fator de risco?

São principalmente os diabéticos e hipertensos.

 

Além destes, quais pessoas podem entrar neste grupo?

Indivíduos que sabidamente têm:

  • Doenças renais;
  •  Glomerulonefrite;
  • Pedra nos rins;
  • Infecção urinária de repetição;
  • Pessoas que têm alguém da família com doença renal.

Pode ser uma doença hereditária, então, quem tem na família histórico de diálise ou transplante, pacientes com uma idade mais avançada (acima de 50 anos) e pacientes com doenças cardíacas, ou seja, com outras conformidades idealmente devem ser submetidos a algum tipo de check-up renal anual, da mesma forma que uma vez por ano se faz o controle do colesterol e da glicemia.

O ideal é incluir especialmente estes pacientes de risco em algum tipo de avaliação da função renal. Isso é muito simples, pode ser feito pela dosagem da creatinina no sangue, então, um exame simples resolve, se pega uma amostra da urina para ver se tem presença de proteína.

Pela análise da creatinina no sangue e pela presença da proteína no sangue, se consegue perceber os pacientes com doença renal crônica ainda numa fase assintomática, porque quando o paciente começa a ter sintoma, muitas vezes, está numa fase avançada da doença.

 

Quando os sintomas aparecem?

Quando tem perda avançada da doença, o paciente só tem de vinte a trinta por cento da função renal.

 

Nessa fase, o que ele sente?

  • Pode ter inchaço por causa da retenção de água;
  • Pode ter aumento de pressão;
  • A urina está mais espumosa por causa da perda da proteína;
  • Pode ter anemia por estar mais fraco;
  • Pode perder o apetite, pela retenção das toxinas e emagrecer;
  •   Ter náuseas e vômitos.

Quando o paciente está nesta fase já não tem muita coisa para fazer. O ideal é o paciente com esse fator de risco, fazer check-up anual da função renal, com exames simples e de baixo custo.

 

Quando se indica a diálise?

Quando a função renal está muito comprometida, menos quinze por cento da função dos dois rins. Nesta fase, o indivíduo não consegue sobreviver sem substituir a função renal de alguma forma.

Pode-se substituir a função renal de duas formas: pela diálise ou pelo transplante.

O transplante é o ideal porque ele substitui de forma mais completa a função renal, mas nem todo mundo tem condições clínicas de fazer um transplante. A pessoa tem que ter condições clínicas para se submeter a essa cirurgia e tem que ter um doador, o que nem sempre é algo que se consiga de imediato.

 

Quantas pessoas hoje estão na fila aguardando um transplante?

Estima-se que mais de cento e dez mil pessoas estão em diálise e acredita-se que em torno de trinta por cento estão aguardando por um transplante.

 

O que pode ser feito para prevenir a perda da função renal?

A primeira coisa é o tratamento de base:

  • Tratar o diabetes adequadamente;
  • Controlar adequadamente a glicemia;
  • Controlar a pressão arterial;
  • Tratar uma doença renal que o indivíduo possa ter;
  • Ter um estilo de vida saudável.

O ideal é evitar:

  • Ganho de peso excessivo;
  • Tabagismo;
  • Tomar medicamentos por conta própria. Há medicamentos que são nefrotóxicos e que pioram a função renal, especialmente os anti-inflamatórios não hormonais.

 

Tomar muito líquido ajuda os rins?

Esse é um ponto importante para falar. Muitas vezes a pessoa pensa que tomar muita água vai ser bom para preservar a função do rim e não tem nenhuma evidência que suporte essa afirmação. Por incrível que pareça é isso.

Temos um mecanismo muito refinado no corpo para definir o quanto temos que tomar de água que é a sede. Então, se tem sede, toma água. Se não tem, não precisa. A não ser que, em extremos da vida, no caso de crianças ou idosos, esse mecanismo de sede não seja totalmente eficaz e aí se oferece um pouco mais de água.

No caso específico de pedras nos rins, o ideal é que o indivíduo tenha um volume de urina de dois litros por dia, isso para você atuar nos mecanismos físico-químicos da formação da urina e diluir mais a urina.

Para quem tem doença renal crônica é o contrário porque se esse indivíduo tomar muita água, esse rim doente pode não conseguir eliminar, então, se ele não consegue eliminar o excesso de água ela fica acumulada no corpo e o paciente fica inchado, pode aumentar a pressão e, em última análise, pode até ir para o pulmão e ter um quadro mais grave.

Quem tem doença renal crônica tem que seguir a orientação médica.

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