Médico em Casa

Tireoide alterada

Entrevista com o endocrinologista
Dr. Felipe Henning Gaia Duarte
CRM/SP: 103.254

Silmara Biazoto

Onde está localizada a tireoide e qual sua função no organismo humano?

Tireoide é uma glândula que fica no pescoço, no pomo de Adão, localizado logo abaixo da traqueia. É uma glândula pequena e molinha, difícil de perceber na palpação.

A tireoide fabrica principalmente dois hormônios, o T3 e o T4. Esses hormônios servem para regular a velocidade de funcionamento do nosso organismo nos vários tecidos. Nesse sentido, se eu tenho uma quantidade de hormônios normal, o meu corpo funciona num ritmo adequado. Se eu tenho pouco hormônio, que é a situação do hipotireoidismo, o corpo fica mais lento, por outro lado, se há excesso de hormônio, o corpo fica mais acelerado.

 

Quais as disfunções que a tireoide pode apresentar?

Existem várias disfunções da tireoide no organismo, mas podemos agrupá-las em três mais frequentes:

  • A primeira é a falta de hormônio na tireoide, chamada de hipotireoidismo;
  • A segunda é a presença de nódulos na tireoide, que podem ser benignos ou alterados e às vezes malignos;
  • A terceira é o hipertireoidismo, que tem várias causas específicas e está relacionado ao excesso de hormônio da tireoide.

A condição mais comum do hipotireoidismo é a falta de hormônio da tireoide e a causa mais frequente é a doença de Hashimoto, mas o que seria isso? O nosso corpo tem glóbulos brancos que nos protegem contra infecções e bactérias. Numa situação dessas, ele passa a produzir anticorpos e glóbulos brancos, que ao invés de atacarem uma bactéria ou um vírus passam a atacar a tireoide, que sofre uma inflamação e reduz sua produção de hormônios, evoluindo para o hipotireoidismo.

Isso é muito frequente. Hoje cita-se que dependendo da região há uma caso para cada 10, em mulher é muito frequente e em alguns locais, há até 20% de mulheres com hipotireoidismo, especialmente da quarta para a quinta década de vida, que é a maior incidência.

Trata-se de uma doença altamente frequente na população.

Como o corpo fica com pouco hormônio, ele fica mais devagar, mais lento, então, o indivíduo vai sentir mais cansaço, falta de energia, sonolência, o intestino pode ficar mais seco, o cabelo mais seco e com menos brilho, alteração de memória – com mais esquecimento, se o indivíduo tiver alguma tendência, com o metabolismo reduzindo um pouco, pode evoluir para o ganho de peso.

Já o hipertireoidismo, que é o excesso do hormônio da tireoide, tem várias causas, desde pacientes que erram a mão e passam a tomar muito hormônio de tireoide; existem também situações em que a tireoide tem nódulos que funcionam produzindo muito hormônio, quadro conhecido como doença de Plamber ou bócio nodular tóxico, mas não é tóxico com nenhuma gravidade, é apenas porque este nódulo produz mais hormônio e, ainda, uma terceira causa é a chamada de doença de Graves. Nessa doença, os nossos nódulos brancos produzem um anticorpo que se liga na tireoide e acaba estimulando a produção de muito hormônio.

Independente da causa, uma vez que haja muito hormônio na corrente sanguínea, o corpo ficará acelerado e os sintomas desse hipertireoidismo serão tremores, taquicardia, aumento do suor, intestino mais rápido, insônia e perda de peso em casos mais acentuados.

 

Quando é necessária uma intervenção cirúrgica?

Os nódulos de tireoide, até que se prove o contrário, não são motivo de grande preocupação porque a maioria deles são benignos, contudo uma pequena fração deles podem ter células alteradas.

Uma vez  que o indivíduo perceba o nódulo de tireoide, quer seja no exame de check-up no ultrassom, quer seja na palpação, em que sentiu um caroço na região baixa do pescoço, ele vai ter que fazer uma investigação chamada punção aspirativa da tireoide, um exame simples feito com uma pequena agulhinha no laboratório em que se punciona aquele nódulo. Por meio dele, o patologista consegue nos dar uma ideia se aquele nódulo é benigno ou maligno e se precisará de tratamento complementar.

Se for benigno é só acompanhar, se for maligno a conduta deve ser cirúrgica, na qual esse nódulo é retirado, pode ser somente ele ou a tireoide toda.

 

Essa é uma doença hereditária ou pode ser provocada dependendo do estilo de vida que a pessoa tem?

Algumas das situações da tireoide têm componente familiar hereditário, por exemplo, no hipotireoidismo, na doença de Hashimoto, sabemos que o paciente em questão tem um ou dois parentes já com hipotireoidismo e a chance dele desenvolver é muito mais alta, em vez de 20%, ele tem 40% de chance de desenvolver a doença.

Alguns tipos de câncer raros têm uma mutação genética familiar, mas isso não é tão frequente, então são as duas principais situações.

Nódulos em tireoide, nós sabemos que quem tem história familiar de nódulos é mais propenso a ter também. São condições em que a análise da família é importante para nos dar uma condição de risco de desenvolvimento da doença ou não.

O estilo de vida interfere pontualmente em algumas situações, por exemplo, aquela doença de Graves que eu citei, uma doença autoimune na qual o nosso corpo produz anticorpos que estimulam a tireoide, tem um componente de forte associação com o estresse excessivo. Isso pode causar uma disfunção no nosso organismo de defesa que pode aumentar a chance dessa doença ocorrer em quem tem a predisposição.

Outro dado de estilo de vida, por exemplo, são dietas muito ricas ou com excesso de iodo. Este iodo em excesso na tireoide pode levar a uma maior chance de reação inflamatória interna e deflagrar um hipotireoidismo ou então alguns raros tipos de câncer de tireoide devido ao excesso de iodo.

 

Como é o tratamento?

Com relação ao tratamento do hipotireoidismo, uma vez que o paciente tenha essa doença de Hashimoto ou teve a tireoide removida,  basta repor o hormônio da tireoide, à disposição em postos de saúde ou farmácias.

É simples. No começo, repomos o hormônio baseado no peso do paciente e depois vamos fazer os exames de sangue para ajustar a dose do remédio de modo que o paciente tenha uma quantidade de hormônio no sangue semelhante ao de uma pessoa que tenha a tireoide 100% normal.

Uma vez que entramos com esse tratamento, ele vai ser contínuo por bastante tempo.

 

Ter as mãos e pés quentes é um sintoma de quem tem um distúrbio na tireoide?

Somente naqueles pacientes que têm excesso de hormônio de tireoide. Com o excesso de hormônio, o metabolismo acelera e a geração de calor aumenta, ou seja, o paciente vai ter mão e pés quentes e suados somente nesse cenário.

Ocorre exatamente o oposto no paciente com hipotireoidismo não tratado. Com hipotireoidismo não tratado e níveis de hormônios baixo no sangue, ele vai ter um nível de intolerância maior ao frio, podendo ter um acúmulo de uma substância na pele que causa um pouco mais de inchaço, além de ter uma intolerância maior ao frio, com as mãos um pouco mais inchadas, mais frias e até uma voz mais empastada e alentecida.

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