Médico em Casa

Vacina HPV

Entrevista com a pediatra e membro da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM)
Dra Mônica Levi
CRM/SP: 66.612

Silmara Biazoto

O que é o HPV?

O papilomavírus humano infecta a pele e a mucosa do ser humano e de outros animais. Pode causar lesão em diversas partes do corpo com lesões benignas e lesões malignas:

  • Das lesões benignas, temos principalmente as verrugas genitais, o condiloma acuminado e papilomatose de laringe, que são consideradas benignas do ponto de vista oncológico, de carcinogênese.
  • Nas lesões malignas, por ser mais frequente, é o câncer de colo de útero. Ele causa câncer em diversos outros órgãos, como, por exemplo, vulva, vagina, pênis, ânus, e orofaringe.

 

Quais as formas de contágio?

A história natural do vírus é assim: quando a célula da pessoa é infectada, em 90 por cento dos casos o próprio organismo se liberta do vírus,  não é que o paciente vai ter para o resto da vida aquele vírus dentro do seu corpo. Esse é um processo imunológico que o próprio organismo faz.

Nos casos em que ele persiste (que é mais ou menos 10 por cento dos casos que resultam em infecção na região genital), vão dando alterações progressivas na pele e, se não forem tratadas, evoluem para o câncer. Então, o tratamento existe, mas não existe nada que tire o vírus de dentro da célula, a não ser o próprio organismo liberar espontaneamente.

Não é que uma vez infectada, a pessoa vai ter o HPV para o resto da vida. Ele elimina espontaneamente, na maior parte dos casos.

 

A vacinação existe desde quando?

Nós temos, agora, mais de uma década de uso dessas vacinas contra o HPV: a vacina bivalente, que imuniza contra o câncer de colo de útero e a quadrivalente, que imuniza contra o câncer de colo de útero e previne verrugas genitais.

 

E o resultado do uso da vacina?

No sistema público de saúde e no sistema privado já existe desde 2006. Nós já trabalhamos com ela há mais de 10 anos. Ela foi incorporada no Brasil no Programa Nacional de Imunizações em 2014, no início só para meninas de 11 a 13 anos. Em 2015, se incorporou também a faixa etária de meninas de 09 a 13 anos. Em 2017, para meninos de 09 a 14 anos.

 

Ainda existe preconceito dos pais em levar as filhas e os filhos com 09 anos para fazer a vacinação?

Os argumentos mais usados pelos pais para não vacinar são: promiscuidade e indução à vida sexual precoce. Mas os estudos mostram que em todos os países onde a vacinação foi incorporada junto com a campanha educativa, houve menos doenças sexualmente transmissíveis e menos gravidez indesejada. Os argumentos utilizados pelos pais não corroboram com os dados.

Tem que ser muito explicado para as meninas, dizendo para que serve a vacinação, dizendo o que ela protege para ela não se descuidar com o uso dos preservativos e todos os outros cuidados que ela tem que ter com outras doenças sexualmente transmissíveis.

Os meninos também são grupos de risco para o HPV. A questão de entrar para um Programa Nacional de Imunizações, depende de uma série de parâmetros, custo x efetividade da vacinação principalmente.

A vacina é recomendada em todos os calendários para os dois sexos. Quanto mais foi-se  descobrindo e melhorando as técnicas de biologia molecular, viram o número de doenças relacionadas ao HPV e também no sexo masculino.

Verrugas genitais, por exemplo, ocorrem um pouco mais em meninos do que em meninas; vários tipos de câncer que anteriormente não se sabia que tinha relação com o HPV e cânceres que acometem o homem, como o de ânus, faringe e pênis. O câncer de pênis e orofaringe está evoluindo no mundo todo no sexo masculino. 

 

Quantas doses cada paciente deve receber?

Com os estudos de imunogenicidade e títulos de anticorpos tão elevados nessa faixa etária de menos de 15 anos, muitos países e também o Brasil passaram a adotar, a partir de janeiro de 2016, as duas doses apenas e aquela dose 5 anos após não vai mais ser aplicada.

Qual a limitação disso? Esse estudo de duas doses, que chamamos de “esquema reduzido de doses” ainda não comprovou eficácia clínica porque tem um tempo limitado de observação.

Todos os dados de eficácia da vacinação que temos até o momento estão baseados no esquema padrão que são 3 doses: hoje, daqui 2 meses e daqui a 6 meses. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações continuam, por enquanto, numa conduta de manter a orientação de 3 doses, que é a mais eficiente proteção de longa duração.

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