Médico em Casa

Esquecimento e Alzheimer

Entrevista com a geriatra e clínica geral
Dra. Jullyana Toledo
CRM/SP: 130.104

Silmara Biazoto

Como é feito o diagnóstico de Alzheimer?

O diagnóstico de Alzheimer é basicamente clínico. Não existe nenhum exame de sangue que vai falar se um paciente tem Alzheimer ou não. Como que se avalia? Tem alguns testes cognitivos que se faz no consultório, mas a queixa do paciente e um relato de alguém que mora próximo ou alguém da família são importantes. Eles vão nos contar:  “Olha, ele está diferente, mais esquecido e fazendo estas coisas que fazia antes de uma maneira diferente ou pior”. Na prática clínica é o que se faz hoje em dia.

Existem algumas pesquisas que estão em curso para fazer uma avaliação laboratorial: um teste de líquor e um teste genético, mas no dia a dia no consultório, não se consegue fazer essa análise tão refinada, só para alguns poucos casos.

São exames laboratoriais?

São exames ainda num ambiente de pesquisa clínica, não tanto no dia a dia do consultório. Não se consegue usar para todos os pacientes, mas naquele caso que começou muito cedo, o que é atípico, é possível pedir um teste genético.

De maneira geral, não tem um exame laboratorial que dê o diagnóstico de Alzheimer para aquele velhinho que vai ficando esquecido.

 

O que é muito cedo para Alzheimer?

Muito cedo é antes dos 50 anos. Muito cedo para a pessoa ter esquecimento que se espera num paciente mais idoso, mas tem algumas formas de demência que infelizmente começam mais precocemente.

Por quê? Há uma explicação?

Não e o tratamento é igual. Infelizmente acontece muito cedo na vida do indivíduo. Então, aquilo que esperamos encontrar na pessoa que tem Alzheimer aos 70, 80 anos, vemos aos 60 anos.

 

Qual a expectativa de vida para qualquer pessoa que tem a doença?

É uma expectativa de vida longa de pelo menos 20 anos do começo dos sintomas e do diagnóstico até a fase do idoso acamado e quietinho. É uma doença crônica. 

 

O Alzheimer pode ser confundido com outras doenças?

Há um conjunto de doenças que são chamadas pseudodemências. O que eu quero dizer por isso? Às vezes uma deficiência de vitamina ou um problema de tireoide vai dar esse sintoma de “estou mais esquecido” ou “tenho menos habilidade para as minhas coisas do cotidiano”.

É um diagnóstico diferente de demência, por isso, há a necessidade de uma avaliação de um médico especialista e de fazer estes diagnósticos diferenciais. Nem tudo que chamamos de demência é Alzheimer. Quando se faz o diagnóstico de demência para o paciente, tem que saber qual demência.

 

Como diferenciar no início o esquecimento comum de Alzheimer?

Na demência de Alzheimer, a pessoa vai perdendo a capacidade de aprender e de ativar a memória e isso é o patológico. Ela deixa de dar conta e as pessoas à volta começam a perceber essa dificuldade.

 

Quais são os tipos de demência?

Tem vários tipos de demência: Alzheimer, temporal, secundária como um derrame, por exemplo, e algumas doenças mais neurológicas – ligadas a doenças como Parkinson ou propriamente uma atrofia cerebral mais específica.

O médico tem que fazer essa separação. Se está no começo, consegue-se dizer o nome da demência, numa fase mais avançada, isso fica mais difícil porque o cérebro vai atrofiando.

Cada demência tem seu ritmo, acometendo um lugar ou outro do cérebro mais intensamente, mas no final vai haver uma atrofia generalizada e o paciente acamado, mais quietinho. Então, é mais difícil diferenciar.

 

Os medicamentos provocam reações?

O tratamento do paciente de Alzheimer é complexo. O que eu quero dizer por isso? Que tem um subterfúgio de remédios que vão me ajudar diretamente na doença e nesses sintomas comportamentais que podem estar associados. Mas é preciso também de um fisioterapeuta e uma terapeuta ocupacional para dar conta de organizar essa rotina, para ele instrumentalizar o cuidador, para ele oferecer o melhor cuidado possível. Então, além de ter o remédio, temos que ter um suporte por trás.

Se ele começar a perder peso, talvez precise de uma nutricionista para ajudar a ir diminuindo o impacto da doença naquele indivíduo e naquela família.

É comum perder peso?

Sim e tem outras demências que vão deixar o paciente muito apático. Temos a demência frontotemporal, que pode ter uma liberação da parte sexual e o paciente vai ficar hipersexualizado. Para o bem ou para o mal, as demências podem mexer também com essa parte da libido.

Alguma recomendação no dia a dia para evitar o Alzheimer?

Hoje sabemos que as coisas que levam a ter Alzheimer estão muito ligadas com o estilo de vida. Então, comer bem, dormir bem e fazer atividade física vão, no mínimo, retardar o aparecimento. O que eu quero dizer por isso? Se eu tiver uma vida perfeita eu não vou ter Alzheimer? Não tenho essa resposta. Mas se estiver “programado” geneticamente para ter aos 70 anos, talvez eu tenha aos 80 anos. Então, o paciente consegue retardar o aparecimento e não só da demência, mas de todas as doenças, inclusive cardiovasculares e metabólicas. É um benefício agregado muito grande de ter um estilo de vida saudável.

Qual a recomendação, quanto uma pessoa deve fazer de atividade física por semana?

A Sociedade Americana de Medicina do Esporte recomenda 150 minutos de atividade aeróbica e mais um treino resistido e associado. Traduzindo: 5 dias por semana de atividade física por 1 hora de treino misto, “na vida é melhor fazer algo do que não fazer nada, almejando chegar à recomendação do ideal”. Se todo mundo vivesse num mundo ideal, sem muitas complicações, sem uma exigência de trabalho absurda, talvez todo mundo conseguisse chegar ao ideal.

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