Médico em Casa

Arritmia e Infarto

Entrevista com o médico cardiologista
Dr. Paulo Campos
CRM/SP:77.162

Graduado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

– Título norte americano de Especialista em Cardiologia, USA Board  Certified in Cardiovascular Medicine.

– Doutor em Insuficiência cardíaca Congestiva Descompensada pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

 

 

Silmara Biazoto

 

Portal Médico em Casa – Dr. Paulo, obrigada pela oportunidade desta entrevista. Eu gostaria de começar perguntando quais são os fatores que levam uma pessoa a ser mais propensa para doenças cardíacas?

Dr. Paulo Campos – Silmara, obrigada pela oportunidade, é um prazer estar aqui.
Os principais fatores são os clássicos de risco cardiovascular. São eles:
  • Pressão arterial;
  • Diabetes mellitus;
  • Tabagismo;
  • Hipercolesterolemia;
  • Colesterol elevado;
  •  Base genética e histórico familiar;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo.

Portal Médico em Casa – Quais são os sintomas que demonstram que a pessoa provavelmente está com alguma doença cardíaca?

Dr. Paulo Campos – O mais importante, mais frequente e muitas vezes esquecido, é a intolerância aos esforços, um cansaço novo, uma dificuldade em realizar as tarefas do dia a dia ou uma dificuldade em fazer os seus exercícios físicos.
Às vezes, é mais importante como uma dor torácica, palpitação ou taquicardia excessiva, arritmia, falta de ar aguda, tontura, desmaio, perda de consciência à atividade física e, em casos extremos, um inchaço generalizado ou uma retenção hídrica.
 

Portal Médico em Casa – Vamos falar de duas doenças na cardiologia: arritmia e infarto. Quais os sintomas da arritmia?

Dr. Paulo Campos – Com relação à arritmia, antes de explicá-la em detalhes, cabe uma explicação sobre palpitação, pois muitas vezes as pessoas confundem as duas. Então, palpitação é a percepção consciente do batimento cardíaco, que é uma atividade involuntária que nós não deveríamos sentir, via de regra.
A arritmia é a perda do compasso, da cadência do ritmo cardíaco, que pode ser sintomática ou não, pode ser totalmente silenciosa e gerar um outro sintoma como cansaço físico, intolerância aos esforços e mal-estar. No idoso, por exemplo, ele não vai conseguir se manifestar, ele vai expressar que tem algo errado, há uma perda na qualidade de vida. Então, enquanto a palpitação é sintomática, a arritmia pode não ser.
 

Portal Médico em Casa – Tanto a palpitação quanto a arritmia são graves a ponto do paciente ter que procurar por acompanhamento médico?

Dr. Paulo Campos – Não necessariamente. A palpitação é a percepção do batimento. Ela pode decorrer, como eu falei, de estados fisiológicos normais ou ser induzida por medidas dietéticas. Temos substâncias estimulantes como o café, refrigerantes com cafeína, energéticos, chás estimulantes, que vão aumentar a frequência cardíaca. Se houver uma redução, o paciente pode resolver a palpitação, as arritmias não. Quando comprovadas, exigem tratamento médico e acompanhamento desses pacientes de forma definitiva.
 

Portal Médico em Casa – Como deve ser o tratamento para a arritmia?

Dr. Paulo Campos – O eletrocardiograma de repouso vai dar muita informação desse paciente, também é importante a realização de um ecocardiograma, um exame de imagem para afastar uma doença estrutural do coração, uma causa anatômica orgânica responsável pelas arritmias. Após esses dois exames outros podem ser necessários, como um holter de 24 horas com registro contínuo dos batimentos cardíacos. Há também a possibilidade do paciente fazer um teste ergométrico e ver se há uma repercussão do esforço físico, se as arritmias são desencadeadas pelo esforço físico. Além disso, em casos mais avançados ou se a investigação não é conclusiva, se pode fazer um registro mais avançado dos batimentos com um looper, que é a implantação de um dispositivo que registra os batimentos até a distância por mais de 24 horas. Para casos mais extremos existe o estudo eletrofisiológico, um cateterismo da parte elétrica do coração no qual há um estudo mais avançado. Colocam-se cateteres pela veia femoral locados no coração para o diagnóstico preciso da origem das arritmias do paciente. Durante a realização do exame, há tanto a possibilidade do diagnóstico quanto do tratamento, mas esse não é o passo inicial para as arritmias.
 

Portal Médico em Casa – Tem algumas doenças que associadas provocam a arritmia?

Dr. Paulo Campos – Sim, doenças não cardíacas podem provocar arritmia. Doenças endocrinológicas como o distúrbio da glândula da tireoide, com liberação hormonal. Então, o colega endocrinologista entra nessa avaliação. Temos hipertireoidismo, hipotireoidismo, doenças mais raras como o feocromocitoma, tumores com liberação de catecolaminas, que aumentam a frequência cardíaca e podem gerar arritmias.
 

Portal Médico em Casa – As pessoas estão muito ansiosas. A ansiedade pode provocar a arritmia?

Dr. Paulo Campos – Mais comumente vai causar a palpitação, mas se o paciente já tem um diagnóstico prévio e está controlado, ele pode exacerbar e dificultar o controle com os seus medicamentos e as suas medidas de bem-estar com o estresse, privação do sono, ansiedade, falta de exercício físico, ganho de peso e a preocupação do dia a dia.
 
 

Portal Médico em Casa – Como uma pessoa pode identificar que está tendo um infarto?

Dr. Paulo Campos – O sintoma mais clássico é a dor em aperto ou em peso localizada na região central e external do tórax ou do lado esquerdo de forma prolongada, com mais de 20 ou 30 minutos . Pode haver uma irradiação cervical, para o braço esquerdo, dorso e até para o braço direito.
Não raro o infarto é acompanhado de outros sintomas que chamamos de neurovegetativos: falta de ar, sudorese profusa, náusea, vômito, taquicardia e mal-estar. Isso é muito comum no paciente mais jovem 40, 50 e 60 anos.
Cabe aqui uma ressalva, o paciente mais idoso não vai ter dor, vai ter sintomas mais atípicos como: falta de ar, confusão mental, transpiração e sudorese, uma prostração muito grande.
Grupo específicos de pacientes que podem ter poucos sintomas: idosos, diabéticosmulhereshipertensos crônicos graves. Esses terão poucos sintomas e vão exigir um maior diagnóstico quando chegarem ao hospital.
A dor vai ocorrer em muitos pacientes, mas é mais comum no jovem e os sintomas atípicos nos mais idosos.
 

Portal Médico em Casa – Quais as causas do infarto?

Dr. Paulo Campos – O infarto é o ponto final da doença chamada aterosclerose, uma doença inflamatória e crônica do endurecimento e entupimento dos vasos arteriais que podem ocorrer não só nos vãos coronários, mas em qualquer território vascular do sistema do nosso corpo.
O mecanismo do infarto vai implicar uma placa de aterosclerose que subitamente terá uma ruptura, um coágulo se formará em cima dessa placa, levando a uma obstrução do fluxo sanguíneo, uma oclusão no fluxo para o músculo cardíaco e morte daquele tecido, das células do coração. Assim, o tratamento tem que ser instituído rapidamente para que se consiga preservar aquela região do músculo cardíaco.
 

Portal Médico em Casa – O infarto não se estabelece de uma hora para outra. Essa placa vai se formando ao longo do tempo?

Dr. Paulo Campos – Sim. Antigamente, havia uma concepção de que precisaríamos esperar a placa ocluir para ter um infarto. Hoje nós sabemos que não é assim. A placa pode romper com grau de obstrução menor, de 30 ou 40%, e por alguma razão, a placa rompe, o trombo se forma, interrompe o fluxo de sangue e o paciente tem um infarto agudo do miocárdio, mas é um processo crônico no qual entram os fatores de risco: tabagismo, hipertensão, colesterol, diabetes e história familiar. Todos eles infelizmente contribuem para esse cenário. A ponta do iceberg é a ocorrência do infarto, mas a doença está instalada há muito tempo.
Já existe evidências epidemiológicas e estatísticas clínicas de que na infância há a formação de placas da aterosclerose nos territórios vasculares. Então, se nesses pacientes se consegue identificar esse quadro, é possível prevenir a ocorrência do infarto mais para frente.
 

Portal Médico em Casa – Qual o tratamento para o paciente infartado?

Dr. Paulo Campos – O paciente que tem um infarto tem um risco maior que a população normal para ter o segundo evento, que pode até ser o último. Ele vai ter que controlar e corrigir todos os fatores de risco que culminaram com o primeiro evento. É necessário um tratamento multidisciplinar e muitas vezes até psicológico para ter a autoestima e confiança de volta e retomar uma vida normal. Não ficar com um trauma do primeiro evento que o incapacite para frente.
Na verdade, no infarto, o paciente que chega ao hospital é um sobrevivente, venceu uma seleção natural. Nós sabemos que o grande número de mortes súbitas é de infartados que não conseguiram chegar ao hospital. Trata-se de um grande alerta, uma segunda chance para aquele paciente, se ele tiver isso em mente, pode modificar totalmente o estilo de vida, reassumir um novo padrão, ter qualidade de vida e ser exemplo.
 

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