Médico em Casa

Entrevista com o Ortopedista

Dr Marco Aurélio Neves
CRM/SP:  90.831

De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a artrose atinge 10 milhões de pessoas no Brasil, isso representa 20% da população acima dos 30 anos de idade. Vamos começar a nossa entrevista definindo o que é artrose?

A artrose é um processo de desgaste, um probleminha de saúde pelo qual todo mundo passa. A cartilagem que protege o contato nos dois ossos vai desgastando com o tempo, isso é uma coisa extremamente natural e vamos ver isso acima dos 30, 40, 50 anos com todo mundo. Quando esse desgaste é muito maior que o esperado para a idade, ele começa a causar problema. Hoje você tem um pouquinho de desgaste? Provavelmente, mas é o esperado para a sua idade. Agora se ele for muito acentuado, vai começar a gerar dor, limitação e problemas para realizar as atividades do dia a dia, nesse momento, vira uma doença que precisa de tratamento.

 

Tem alguma forma de prevenir?

Nós não sabemos como evitar esse processo de desgaste porque é natural, mas hoje têm muitos trabalhos que mostram a necessidade de manter-se ativo, com uma musculatura forte no corpo. Isso ajuda a estabilizar as articulações e impede que a sobrecarga do peso do dia a dia fique exclusivamente nos ossos, favorece os pacientes para não ganharem peso e outros problemas secundários.
 

Qual a diferença entre a artrose e osteoporose?

A artrose é um desgaste da articulação pelo contato do osso com outro osso no quadril, no joelho, no tornozelo e no ombro. Isso tem a ver com o desgaste natural e tem a ver com algumas doenças específicas, como problemas reumatológicos, sequelas de acidentes ou por muito esforço ao longo da vida, o que gera um desgaste acima do normal.
A osteoporose diz respeito à qualidade do osso, quando o osso enfraquece normalmente e isso acontece por causa da idade, principalmente nas mulheres por questões hormonais, depois da menopausa.
Na osteoporose não há sintoma, o paciente não tem dor. Tratamos para prevenir que o osso se quebre, por isso falamos que é uma doença silenciosa, o paciente não tem a percepção de que alguma coisa está acontecendo, diferente da artrose, que com o desgaste acentuado, qualquer movimentação gera dor e limitação.

 

A osteoporose só pode ser detectada por meio da densitometria?

O paciente precisa fazer os exames anuais, o melhor é a densitometria.

 

Por que a mulher está mais sujeita a ter osteoporose?

A mulher ao longo do tempo perde o hormônio e ele tem um papel muito grande na manutenção do cálcio, o osso enfraquece com maior risco de quebrar.
 

No caso específico da prótese no quadril, uma cirurgia comum nas pessoas mais velhas, quais os cuidados que se deve ter antes, durante e depois da cirurgia para que o paciente alcance 100% de sucesso?

É importante ressaltar que a cirurgia para colocar a prótese de quadril é a última alternativa. Fazemos a cirurgia quando o paciente fez todo o tipo de tratamento e esgotou todas as possibilidades e numa situação em que ele está extremamente limitado e incapacitado. O paciente diz: “ – Eu não aguento mais, tenho dificuldade para andar, dormir, sentar e sinto uma dor constante”. É uma dor constante porque é um osso raspando no outro e não temos como amenizar isso.
Para que tudo flua bem, fazemos uma boa avaliação pré-operatória, com vários exames cardiológicos, clínicos e mostramos ao paciente o que será feito com a colocação da prótese e os cuidados que são tomados:
 
·        Primeiro a anestesia. Com as avaliações e com o histórico do paciente, conseguimos entender se ele tem algum tipo de problema relacionado com reação alérgica ou anafilática;
 
·        Segundo a circulação, principalmente nos casos de trombose. Com a cirurgia e o fato do paciente ficar mais limitado, há um aumento do risco da doença, então, é preciso entrar com remédio e colocar o paciente para andar o mais rápido possível. Ele opera de manhã e à tarde o colocamos para andar;
 
·        Terceiro a infecção. Com a colocação da prótese, sempre há a possibilidade de uma bactéria se alojar no local da cirurgia. Fazemos da forma mais asséptica possível e o paciente toma antibiótico para evitar isso.
 
No pós-operatório basicamente fazemos com que o paciente recupere toda a função que perdeu ao longo do tempo em que a artrose foi tomando conta da vida dele. Isso se dá essencialmente por meio da fisioterapia e, num segundo momento, exercício físico.
A função da prótese depende do quanto a musculatura vai ser forte e vai ajudar nesse processo. Quanto mais atividade o paciente tiver, maior a chance de ter um resultado melhor.

 

Se ele tiver um bloqueio psicológico, atrapalha?

Muito. Nos pacientes idosos isso é comum porque já ficaram muito tempo parados e muito inseguros. Esses pacientes são um desafio do ponto de vista de estímulo e reforço psicológico.
 

A família é importante?

Sem dúvida e isso até para os pacientes mais jovens, esse processo cirúrgico envolve tanto o engajamento do paciente, como do familiar e do cuidador que está perto. Durante um período, que pode durar de 8 a 10 dias, vai haver um certo grau de dependência e de necessidade de ajuda para algumas coisas.
 

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