Médico em Casa

Cirurgias para não usar óculos

Entrevista com o Oftalmologista
Dr Henrique Sedi
CRM/SP:66.794

Silmara Biazoto

Por que aos 40 anos a visão começa a ficar cansada, com ardência e as pessoas apresentam dificuldades para ler?

O ser humano enquanto estrutura genética foi moldado pela natureza para ter a distância como principal foco. Então, a estrutura ocular anatômica gera um relaxamento ocular quando se olha a distância e, ao contrário, quando se olha para perto, se faz um esforço bastante forte, embora não se sinta esse esforço porque imediatamente o olho faz o foco. 

O olho faz uma contração forte e muda o formato do cristalino, que é a lente intraocular, e faz o foco de perto por três graus e se ajusta automaticamente, seria como um zoom natural que temos.

Quando se chega aos 40 anos de idade, há um processo de perda da capacidade de fazer esse zoom. De 40 aos 60 anos se perde de um a três graus de foco para perto.

O processo de presbiopia é matemático e acontece na idade idêntica para todos os seres humanos, isso é um padrão.

Ardência e lacrimejamento são uma consequência do esforço muscular que está sendo feito, que para alguns é mais fácil e para outros mais difícil.

 

Para retardar o envelhecimento dos olhos funciona adiar ao máximo o uso dos óculos?

Funciona, mas temos que ter bom senso para isso. As pessoas que começam a usar óculos logo que a dificuldade aparece terão uma progressão galopante, as pessoas que retardam e não há problema algum em fazer esse esforço.

Porque eu falo em bom senso para fazer isso? Porque evidentemente quando se começa a ler e não se consegue enxergar, o humor e motivação para leitura são afetados.  Quando a pessoa estiver se sentido restrita, deve-se começar a usar os óculos.

 Uma boa luz também ajuda. Eu sempre explico para os meus pacientes, em primeiro lugar comece a usar um foco de luz, na hora de ler, que a qualidade da visão melhora.

A presbiopia é uma perda da capacidade muscular, a miopia, hipermetropia e astigmatismo são características anatômicas que as pessoas carregam a vida inteira.

Na verdade, a miopia e a hipermetropia são doenças em que as pessoas perdem o foco, o astigmatismo deforma a imagem e é diferente.

 

E as lentes de contato, como elas se encaixam nas opções terapêuticas?

A lente de contato é uma opção muito interessante principalmente para os jovens, porque ela não dá o que chamamos de “magnificação da imagem”.

O míope quando está de óculos, enxerga bem, mas a imagem fica menor porque é uma lente de míope; o hipermétrope tem tudo aumentado porque é uma lente de hipermetropia. A lente de contato, por não ter a distância, faz com que a pessoa enxergue em tamanho natural, existe um ganho na qualidade desta imagem.

A questão delicada que envolve a lente de contato é que a pessoa começa a usar na ótica e não no consultório médico com toda a orientação necessária. Começa também a usar de forma abusiva, sem saber que uma lente de contato está reduzindo a oxigenação da córnea.

A córnea que não recebe oxigenação ideal tem que buscar oxigênio de algum lugar e os vasos sanguíneos das partes conjuntivas, a parte branquinha dos olhos, começam a invadir a córnea – e depois do tempo começa a neovascularização que gera um afinamento dessa córnea. Por causa do afinamento, em algum momento, depois de 5, 10 ou 15 anos, a pessoa não conseguirá mais usar a lente de contato. Chama-se rejeição e,  nesse momento, a pessoa vai buscar uma cirurgia e diz: “bem agora que eu não estou conseguindo usar a lente, eu quero fazer uma cirurgia”, mas infelizmente agora a córnea está muito fina e não vai poder usar a lente e fazer a cirurgia, vai ficar refém dos óculos a vida inteira.

Qual a orientação? Vai usar uma lente, muito bem, desde que seja bem adaptada e receba a orientação de usar com parcimônia, nas atividades externas, ou seja, use a lente de contato, mas tenha sempre os óculos.

Eu recebo regularmente pacientes no meu consultório que estão com lentes de contato e eu digo: “Agora você vai ficar 48 horas sem usar a lente de contato para o exame oftalmológico” e ele diz: ” Eu nem tenho óculos, eu só uso a lente”, isso é um absurdo.

Ter os óculos e não ter a lente pode, ter a lente e não os óculos, não pode. Não existe isso, pois corre-se o risco de ter patologias, lesões de córnea, úlceras e infecções.

O exame ideal para avaliar a espessura da córnea é uma tomografia que avalia toda a estrutura e que o médico possa olhar e dizer se está tudo certo.

 

Em quais casos o paciente pode recorrer à cirurgia?

A cirurgia tradicional corrige miopia, hipermetropia e astigmatismo desde que o caso anatômico da córnea mostre que é pertinente, ou seja, se tem uma curvatura e espessura saudáveis.

Laser multifocal já existe, mas não é efetivo, não há uma boa reprodutibilidade do resultado. Você pode operar cinco pacientes no mesmo dia com o mesmo laser e com o mesmo grau: um pode ficar ótimo, um pode ficar péssimo e outros três podem ficar razoáveis. De uma forma geral, a multifocalidade, que seria um conceito que atua na presbiopia, não é algo que francamente funciona.

Na presbiopia, eu gosto mais do conceito da monovisão, que usa o olho dominante focado para longe e o não dominante para perto. Eu não tenho pacientes que não tenham uma boa adaptação com este sistema desde que se tenha o prazo necessário para a neuroadaptação.

Quando falamos em cirurgia para a presbiopia a laser ou com a cirurgia da catarata, isso é possível? Sim, se tem a lente multifocal e o laser multifocal, são recursos restritos à monovisão que podem ser distribuídos nos dois casos muito bem.

Entenda isso, não é a cura da presbiopia, é um truque matemático para que o paciente não dependa de óculos. A musculatura efetivamente perdeu essa capacidade, mas tem um truque matemático por meio do laser ou da lente intraocular que permite ao paciente enxergar sem depender de óculos.

Fica tudo mais prático porque ter 50, 60 e 70 anos e enxergar sem precisar de óculos é um conforto muito grande.

 

Essa cirurgia depende da espessura da córnea?

Se for cirurgia a laser depende de uma espessura adequada da córnea. Tem córneas que não são normais, seja na espessura ou no formato, e não se pode fazer cirurgia via laser e a cirurgia de implante de lente intraocular evidentemente depende de ter disseminado nesta pessoa a opacidade desse cristalino para substituir por uma lente intraocular, como se fosse uma cirurgia de catarata.

 

A pessoa pode refazer a cirurgia?

Os retoques que chamamos de retratamento dependem de uma córnea boa. Tem pessoas que podem fazer 2, 3,4 e 5 cirurgias devido à espessura da córnea e tem pessoas que não têm espessura nem para fazer a primeira abordagem.

A lente intraocular quando é implantada com o objetivo de mudar o grau fica de forma definitiva.

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