Médico em Casa

Dor de ouvido

Entrevista com a otorrinolaringologista
Dra. Jeanne Oiticica
CRM/SP: 96.354

Silmara Biazoto

Como identificar que o bebê está com otite?

Existem algumas formas de identificar que um bebê está com otite, uma delas é fazer uma pressão no trago, que é a cartilagem em forma de meia lua na frente do canal do ouvido, em cima do lóbulo da orelha. Então, quando se faz a pressão e o bebê chora ou faz cara de aversão e dor, provavelmente ele está com infecção no ouvido.

Outra forma de identificar é quando ele chora para mamar ou comer porque na hora que ele deglute, acaba forçando e identificando a dor nesta região do ouvido.

 

O que causa a otite?

A criança quando nasce tem a tuba auditiva, que é o canal que comunica o nariz com o ouvido mais horizontalizado e mais delicado. É comum, se a criança mama deitada, que o alimento reflua dali do fundo da garganta para o ouvido.

Algumas orientações: 

  • O bebê ou a criança não deve mamar deitado, precisa estar um pouco mais sentadinho;
  • Não use o cotonete, ele pode friccionar e criar microfissuras na pele do ouvido da criança e isso favorece a penetração de vírus e bactérias no local;
  • As adenoides e as rinites crônicas podem causar dor na criança com 4, 5 ou 6 anos.

Estes processos infecciosos ou inflamatórios da região da via aérea superior podem migrar para o ouvido ou vice-versa, com isso a tuba inflama e o ouvido não consegue drenar a secreção que ele mesmo produz, acumulando lá dentro.

 

Por que sai o pus?

O pus é um sinal que tem infecção por bactéria e essa criança vai precisar tratar com antibiótico. Ele sai quando o ouvido fica tão cheio da secreção que o tímpano perfura e, com isso, vaza o pus do ouvido. É um mecanismo de alívio que o ouvido tem para expulsar aquela infecção.

Nesse caso, tem que se entrar com antibiótico, aspirar esse ouvido, porque corre-se o risco de a infecção, se não tratada, progredir para outros locais.

 

Quando sai o pus, há risco de prejudicar a audição permanentemente?

Não, é mais difícil e não é frequente. Pode acontecer se essa pulgacão for longa, persistente, com dor ou uma criança que tem isso há meses e que não cessa e que mesmo tratando com antibiótico, não cura. Então, nesses casos dependendo da cronicidade, do tempo da infecção, pode haver alguma sequela, mas isso não é rotina, “porque sai pus vai haver perda auditiva”, não é assim.

 

Crianças que ficam em escolinhas estão mais sujeitas a ter dor de ouvido?

Sim, porque nas escolinhas elas ficam muito juntas e nesta faixa etária acabam pegando muita infecção porque o sistema imunológico da criança não nasce maduro. Na hora que a criança nasce, o sistema de defesa não está pronto, ele vai estar pronto aos 4, 5 ou 6 anos de idade.

O ideal quando se escolhe uma escolinha para colocar uma criança é que o local seja arejado e que a criança não fique fechada em ambientes. É importante que o ar circule, se isso acontece diminui muito a chance de contágio entre as crianças.

O ambiente deve ser com limpeza adequada da superfície depois do término do horário de funcionamento.

 

Outros fatores que desencadeiam a doença?

Os vírus, a influenza, parainfluenza, gripe e qualquer infecção nessa região superior podem levar a otite. As estruturas estão muito próximas e se comunicam facilmente.

 

Alguma indicação de tratamento caseiro que os pais possam fazer num primeiro momento?

O que se pode fazer é dar algum analgésico para alívio da dor até ela chegar no atendimento. Isso dá um alívio, um conforto à criança, ela já se acalma, a dor cede um pouco. Uma outra coisa é se a criança tem esses quadros de infecção recorrentes do ouvido e o médico prescrever alguma gotinha de ouvido para pingar aquilo ali até o momento da consulta.

 

Colocar a medicação não pode mascarar o quadro clínico?

Numa situação pontual, eu acho que os pais devem dar alívio à criança, ela está sofrendo. Mais importante do que mascarar é dar conforto até chegar ao médico, não é que você não vá ao especialista em breve.

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