Médico em Casa

Estresse

Entrevista com Neurologista Clínico
Dr. Denis Bernardi Bichuetti

Silmara Biazoto

Como uma pessoa pode reconhecer que está estressada?

O corpo se manifesta com alguns sintomas na pessoa estressada:

  • Ocorre a  redução do ritmo de sono, dificuldade para pegar no sono e ela acorda no meio da noite;
  • Quando ela dá respostas mais curtas e um pouco impaciente. Não precisa estar gritando, mas quando as pessoas à sua volta dizem que ela está um pouco mais impaciente;
  • Quando têm dores em geral: musculares e de cabeça;
  • Quando está com batedeira no peito e a sensação de coração acelerado;
  • Tremor nas mãos ou sudorese;
  • O pânico é uma modalidade de estresse, seja de uma forma contínua ou algo que se tem episodicamente;

O estresse pós-traumático é um braço da ansiedade, então, o paciente relata: “eu fui assaltado no carro e agora eu começo a ter medo de entrar no carro”, ou outro exemplo: “eu sofri um sequestro relâmpago e aí eu começo a não querer mais frequentar um caixa eletrônico”, ou “toda vez que eu passo na frente de um caixa eletrônico eu tenho batedeira no peito, sudorese, fico ansioso”.

O pânico é um braço da ansiedade. Um ataque de pânico envolve todos os sintomas que eu comentei, mas ele vem num período curto de tempo: ele dura 20 ou 30 minutos e passa.

  • Perda de interesse em atividades de vida diária, como deixar de frequentar uma atividade de lazer e diminuir a atividade física.;
  • O cansaço excessivo e falta de atenção ;

Eu vejo muito as pessoas com 30 ou 40 anos de idade que chegam aqui com falta de atenção ou perda de memória. Quando vou ver a pessoa está dormindo 4 horas por noite e está trabalhando três turnos seguidos e não está comendo direito.

  • O estresse do cuidador, o indivíduo precisa cuidar de uma pessoa que está doente;

Algumas coisas vêm juntas na mesma pessoa, às vezes é só o clássico e conhecido: “como eu estou estressado porque estou sobrecarregado de trabalho”, ou “eu estou estressado porque eu tenho alguém doente em casa que eu tenho que tomar conta”.

É lindo e maravilhoso ver isso com acompanhantes cônjuges de pessoas com Alzheimer e com AVC, por exemplo. Eu trato aconselhando uma certa folga para a pessoa que está sobrecarregada.

Tudo o que já se ouviu sobre alguém explodindo e brigando com todo mundo, isso é o extremo do estresse, quando já passou dos níveis do puramente aceitável e com indicação de um tratamento mais agressivo.

 

Em vários artigos científicos, a meditação e a terapia são indicadas para o tratamento do estresse. O Sr. indicaria?

Eu vou responder de uma forma mais ampla porque eu não sou um pesquisador em meditação, mas isso é algo que tem se falado muito hoje em dia.

O que acontece? Nós estamos expostos a uma quantidade enorme de informação e comunicação. Dizem que alguns seres humanos tecnologicamente avançaram na capacidade de comunicar, mas como ser social e biológico não consegue acompanhar.

Atitudes que demonstram a falta de habilidade para lidar com o volume tecnológico:

  • Dormir com o telefone debaixo do travesseiro;
  • Responder cada mensagem de imediato;
  • Memorizar muitas senhas;

“Para acessar o meu banco eu preciso de oito senhas e preciso lembrar de cada uma delas”. Tudo isso vai enchendo a nossa cabeça de coisas. Eu costumo brincar de uma forma até um pouco jocosa, para quem está muito ansioso e com queixa de memória: se você enche a tua cabeça de abobrinha, não sobra espaço para o que é importante.

E aí? Onde é que entra a meditação nisso? A meditação entra para ensinar a desacelerar. Do ponto de vista geral, a meditação não entra para entrar em alfa ou para levitar, entra para livrar espaço e desacelerar. Recentemente, eu li uma reportagem sobre a meditação em que muitos executivos, muitas pessoas de sucesso e muitos artistas meditam pela manhã ou meditam antes de um show para justamente aprender a controlar o corpo, a cabeça e a ansiedade.

 

Em casos mais complicados de estresse, qual o tratamento indicado?

Nestes casos, esbarramos numa borda limite entre a neurologia, a clínica geral, a psicologia e a psiquiatria. Quando falamos em estresse, depressão, ansiedade e pânico, a maioria dos clínicos gerais conseguem acompanhar os pacientes nos casos mais leves. Nos casos mais complicados precisa da ajuda de um psiquiatra.

Mas vamos falar do tratamento mais geral:

  • Um tratamento que vai combinar modificações no estilo de vida;
  • Terapia medicamentosa;
  • Terapias psicológicas ou psicoterapias.

Onde é que existe a mudança do meio ambiente ou estilo de vida? A atividade física é uma coisa protetora no estresse. Todo mundo que está no limite do estresse precisa praticar um pouco de atividade física.

Em outra situação, temos um agente estressor, importante identificar aquilo que deixa a pessoa mais ansiosa, isso precisa ser trabalhado. Se a pessoa consegue se afastar do agente estressor isso traz conforto. Um exemplo: “ah, o agente estressor é o meu chefe”, será que é possível mudar de seção? Mudar o horário de trabalho? Não, não consegue mudar, então, precisa da psicoterapia ou da terapia psicológica para ajudar a entender as causas do estresse e a tratar.

A terapia medicamentosa, seja com calmantes, com antidepressivos e com remédios usados para dormir,  é em paralelo a tudo isso.

Tem um conceito médico, tanto para o estresse quanto para a depressão: só medicamento não funciona tão bem quanto medicamento e psicoterapia, ou a psicoterapia não funciona tão bem e, em alguns casos, eu preciso de medicamento.

Tem pessoas que vão usar medicamentos pontualmente,  calmante para dormir por um mês, depois um antidepressivo para reduzir a resposta ao estresse. Quer dizer: diminuir batedeira, sudorese por três a seis meses e depois em paralelo à terapia.

Tem pessoas que às vezes por ritmos biológicos próprios ou variações hormonais, ou porque são mais propensas a desenvolver a ansiedade que precisam ficar medicadas cronicamente.

O que é importante dizer é que não é só remédio. O remédio, numa situação como essa, é para tapar o sol com a peneira, quer dizer: “o paciente não resolve o problema”.

 

No dia a dia, qual o estilo de vida ideal para não se chegar ao estresse?

Temos que voltar para o básico, passamos os anos 90 conhecendo o cérebro. Desde o início dos anos 2000, foi a vez da genética. Chegamos a fundo em algumas doenças neurológicas e causas genéticas. Como algumas causas delas, discute-se a modulação da tua carga genética para tratamento e, talvez, mais à frente isso apareça. E agora, em 2016, já que sabemos tudo isso, começaram a estudar a alimentação e a atividade física.

Tem uma série de substâncias liberadas no exercício físico que são neurorregeneradoras, sem falar em endorfina,  que é o analgésico mais potente que o nosso organismo libera. 

Uma dieta muito salgada está associada com doenças autoimunes, porque os nossos glóbulos brancos ficam um pouco mais atiçados no sal.

A obesidade abdominal é um tecido vivo, então, algumas doenças autoimunes também estão relacionadas com obesidade. O obeso dorme pior; quem dorme pior, não descansa e, se não descansa, tem uma perda de memória no dia seguinte.

Sabemos que quem dorme menos de 6 horas por noite tem uma chance maior de desenvolver infarto, AVC e estão começando a aparecer alguns estudos com Alzheimer.

A privação de sono é um estresse físico para o nosso organismo. Se uma pessoa está constantemente ligada a uma atividade, não dá tempo para os neurônios repousarem. 

  • Durma preferencialmente 8 horas por noite;
  • Faça três refeições ao dia;
  • Reserve uma parte do seu dia para uma atividade de lazer ou hobby;
  • Faça uma atividade física regular;
  • Evite sobrecarga;
  • Saiba dividir os seus problemas com outras pessoas, isso também é importante.

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