Médico em Casa

Antibióticos

Entrevista com a médica infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia
Dra Ana Gales
CRM/SP: 73.542

Silmara Biazoto

Em quais situações devemos usar antibiótico?

Nós devemos usar antibióticos toda vez que tivermos uma infecção causada por bactéria:

  • Pode ser uma infecção na garganta que tenha pus na qual foi detectada uma bactéria;
  • Uma pneumonia bacteriana;
  • Uma meningite bacteriana.

Toda vez que o médico suspeitar ou tiver um exame de laboratório dizendo que tem bactéria, o antibiótico está indicado.

 

Em quais situações a população está usando antibióticos inadequadamente?

A população acaba fazendo uso indiscriminado ou inadequado de antimicrobiano porque acha que se tomar o antibiótico vai prevenir a infecção bacteriana e nesse sentido o uso é inadequado.

A criança menor de dois anos está construindo o sistema de defesa dela contra a infecção, ela está sendo exposta constantemente a vírus, então, é muito comum essa criança ter toda semana uma infecção viral  e, às vezes, vai formar placa de pus na garganta. Apesar de ter placa de pus, isso não significa que é uma infecção bacteriana, então,  devemos ter um pouquinho de paciência.

Quando passa a febre, a criança continua a brincar, isso é uma dica para a mãe de que talvez não seja uma infecção bacteriana e de que não seja necessário o uso de antibióticos.

Outro exemplo é quando a pessoa tem um resfriado ou uma amidalite, mas o estado geral é bom e, se percebe isso, quando no caso  da criança, ela não deixou de comer.

Tem exames que podemos colher que ajudam a indicar que a infecção é bacteriana. Na garganta tem um teste rápido que consegue identificar uma bactéria chamada Streptococcus pyogenes.

 

Quais as consequências deste uso inadequado a curto e longo prazo?

A curto prazo, com o uso inadequado, podem aparecer alergias, outros efeitos colaterais e o desenvolvimento de resistência. A longo prazo, posso perder o uso do antibiótico.

Quando eu era residente, os pacientes tomavam o Bactrim e ele funcionava. Agora, com os estudos, se vê que a taxa de resistência ao Bactria está em torno de 50%.

Com o passar do tempo vamos usar antibióticos com um espectro maior.

Há uma dupla responsabilidade por isso, cabe ao médico em não prescrever o antibiótico quando não achar necessário e perder o seu tempo para explicar para o paciente o motivo de não o prescrever. Por outro lado, ao paciente em não pedir para o médico prescrevê-lo.

Eu brinco com os pacientes e digo: “mas você perguntou para o médico se você precisava realmente tomar o antibiótico?” e, muitas vezes, os pacientes dizem: “mas doutora essa não é minha obrigação”, e eu falo, “é uma obrigação nossa também cuidar da nossa saúde”.

O médico muitas vezes prescreve porque ele se sente inseguro. Ele se sente inseguro porque, muitas vezes, está num plantão de Pronto Socorro e não vai ver este paciente novamente, então, ele não sabe o que vai acontecer. Ele sente-se pressionado porque o paciente já chega no consultório dizendo: “Doutor, eu tenho uma sinusite bacteriana e eu vim aqui para pedir um raio X e um antibiótico”.

É preciso lembrar que existem infecções que são graves e realmente precisam do antibiótico, mas têm outras infecções que não são tão graves e que o próprio sistema imune pode combatê-las.

Todo mundo lembra da bactéria que faz mal, mas ninguém lembra da bactéria que faz bem, chamamos de colonização a bactéria que mora no organismo, na mão, na pele, no intestino e no trato respiratório.

Tem um monte de bactérias que têm uma função boa. Na verdade, elas estão lá de mãozinhas dadas prevenindo que a outra bactéria entre. Se usamos o antibiótico e alterar esse equilíbrio, essas bactérias vão conseguir entrar.

Quando matamos as bactérias boas, damos espaço para que bactérias que habitualmente não colonizam o corpo ganhem espaço para colonizá-lo.

 

Temos antibiótico endovenoso, intramuscular, por via oral e tópico. Todos têm o mesmo efeito?

Existe uma tendência de que quando usamos um antibiótico endovenoso, ele tem uma atividade maior. Ele faz uma pressão seletiva, quando o antibiótico vai matar as bactérias sensíveis e dar chance para as resistentes crescerem.

O antibiótico tópico também vai acabar selecionando a bactéria resistente naquele local em que o paciente aplicou. Então, com o passar do tempo, não vai fazer efeito ou pode causar alergia.

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