Médico em Casa

Fertilização in vitro

Entrevista com o Especialista em Reprodução Humana Assistida
Dr Edson Borges Jr.
CRM: 52.154

Silmara Biazoto

Quando e como foi realizada a pesquisa que comprova que o estilo de vida influencia a qualidade do embrião?

Foi uma pesquisa no nosso serviço com 519 pacientes, destes perto de 270 foram para a fertilização em vitro. O interessante desse estudo é avaliar aquele embrião dentro do laboratório, antes de transferir para o útero da mulher.

O que vimos é o seguinte: quando avaliamos o desenvolvimento inicial deste embrião, ou seja, esse embrião fecundou e ficou cinco dias no laboratório. Nos seus três primeiros dias de divisão, que chamamos de estágio de clivagem, vimos que quanto pior o estilo de vida em relação a hábitos deste casal, pior a qualidade embrionária, e claro,  quanto melhor, melhor a qualidade embrionária.

Relativo a quê? Casais com maior ingestão de carne vermelha, álcool e cigarro, o desenvolvimento desse embrião até o terceiro dia foi pior. Consequentemente para os casais em que o consumo de cereais é mais frequente e há a regularidade na alimentação, fazendo entre 3 e 4 refeições por dia,  os embriões são melhores. Bons hábitos fazem bem para o organismo e para o  embrião também.

Estendemos um pouco mais sobre isso, para a transferência para dentro do útero no quinto dia, que é o melhor embrião, que nós chamamos de blastocisto, e esses dados se repetiram. Realmente os casais com melhores hábitos, os blastocistos eram melhores. Então, conseguimos dizer que faz bem para o embrião e melhora a probabilidade daquele casal ter um bebê.

O que se foi provado pela ciência em outras áreas, estamos comprovando para a reprodução assistida.

Uma coisa interessante que vimos também em relação ao homem se comparado a mulher, contamos os espermatozoides e temos o número de motilidade. Sabemos que os hábitos ruins fazem com que o homem tenha um menor número de espermatozoides e que esses espermatozoides são menos móveis.

Hoje a carne vermelha é muito contaminada, livre de hormônios naturais que chamamos de xenobióticos. Quer dizer é  a ração que esse boi come, o pasto que ele vai se alimentar que está contaminado.

Hoje a carne vermelha é a principal, mas há  outros alimentos que também fazem com que o nosso organismo fique submetido a algumas substâncias que são estranhas e o sistema reprodutivo é muito sensível a essa história.

 

Nos últimos dez anos houve alguma mudança na qualidade do espermatozoide?

O que fizemos é o seguinte: avaliamos os mesmos homens que sentam aqui na nossa frente e pegamos dois períodos: de 2000 a 2002 e de 2010 a 2012. Então, separados por uma década com a mesma queixa: “não consigo engravidar”.

Pegamos duas mil e trezentas amostragens, o que é estatisticamente forte, em que vimos homens com a mesma idade e com o mesmo volume ejaculado e avaliamos o quanto era o volume de espermatozoides agora e dez anos atrás. A concentração espermática, que são os números de espermatozoides, veio de sessenta e um milhões, dez anos atrás, para vinte e sete milhões agora. Existiram trabalhos que viram essa história, mas não com números tão grandes.

A mesma coisa em relação à forma do espermatozoide. Um dado muito importante para ver a capacidade do espermatozoide de fecundar o óvulo, chama-se morfologia. Isto é, daquele montão de espermatozoides, uma porcentagem muito pequenininha é viável. Então, consideramos o normal de morfologia de quatro por cento. Quando pegamos aquela população de dez anos atrás, a morfologia média era de 4.6 % e essa população, dez anos depois, foi para 2.7%. O que também assustou e que são as situações piores em relação à fertilidade é que esse homem tem pouco espermatozoide, que se chama oligospermia, ou não tem espermatozoide, que se chama azoospermia.

Vamos aos números: 10 anos atrás, o número de homens com oligospermia era 16%, para essa população, dez anos depois, é de 30%.

Vamos falar da pior situação que é a azoospermia: 5% dos homens, dez anos atrás, tinham a azoospermia, e agora, 8.5 %. O único fator de mudança foi o tempo e toda essa bagunça no nosso estilo de vida.

Sem dúvida, os hábitos ruins desses últimos dez anos são os causadores desta história. Novamente, muita poluição ambiental, muita contaminação de água, muita radiação e tudo isso vai se potencializando. 

Parece clichê, mas para alguns casais, estava faltando aquela melhora para engravidar. Eles vão para a nutricionista e vão ter uma alimentação melhor, vão fazer exercícios físicos porque também, quando chegam na consulta clínica, pesamos e medimos e fazemos um Índice Massa Corporal (IMC).

 

Sabendo que a obesidade é muito comum nos dias de hoje, a cirurgia bariátrica pode influenciar na fertilidade?

Sabemos que estes homens têm uma diminuição da motilidade do número de espermatozoides, só pela obesidade. Mas o tratamento mais comum e eficiente é a cirurgia bariátrica, onde este homem perde peso rapidamente e consegue se integrar de todas as formas.

Como essa mudança de metabolismo, que ocorre muito rápido pela cirurgia bariátrica, ofende muito os testículos, não é incomum o homem que já tinha uma alteração seminal pela obesidade ficar azoospérmico.

A recomendação para este homem é que faça uma avaliação seminal para ver como está o seu espermatozoide e o congele ; faça o seu backup porque existe uma probabilidade pequena dele ficar sem espermatozoide de uma forma definitiva.

 

Depois de quanto tempo da cirurgia o homem pode ficar azoospérmico?

Sabemos que o espermatozoide é produzido a cada 60/65 dias. Então, a cada produção espermática, isso pode ocorrer. Então, o que nós fazemos: esse homem guarda o sêmen e nós vamos fazendo avaliação seminal a cada dois ou três meses. Depois de um ano, se ele estabilizou o seu peso e a sua produção espermática está normal, não precisa congelar. No contrário, sim.

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