Médico em Casa

Índice de Massa Corporal e Obesidade

Entrevista com a Endocrinologista
Dra. Maria Edna de Melo
CRM: 106.445

Silmara Biazoto

Qual a população obesa no Brasil?

Hoje nós temos no Brasil cerca de 30 milhões de pacientes com obesidade, número que representa 20% da população de adultos, mas temos que considerar também que 56,9% da população, ou seja, mais da metade, está acima do peso. Isso é extremamente preocupante porque sabemos que a obesidade gera uma série de transtornos e promove o aparecimento de várias complicações.

 

Um indivíduo verifica se está obeso medindo o IMC. Quais são os parâmetros para a mulher, homem e criança?

O diagnóstico de obesidade é feito utilizando o IMC, que é o índice de massa corporal.

O cálculo é feito pelo peso da pessoa em quilogramas dividido pela altura duas vezes.

Exemplo do cálculo:

 65 quilos ÷ 1,68 altura = 38,690

38,690 ÷ 1,68 altura novamente =  23,030

Valores de referência:

  • Peso normal é de 18,5 até 24,9; 
  • Sobrepeso de 25 até 29,9;
  • Obesidade com 30 ou mais. 

Para crianças e adolescentes não usamos o IMC isolado porque isso subestima o estado nutricional, então, temos que usa-lo numa curva específica para cada gênero. A curva específica vai variar de acordo com a idade pelo pediatra.

A impressão que se tem das crianças é que estão com  peso normal, quando na verdade já estão com excesso de peso e, quando se acredita que estão magras, na verdade estão normais.

 

A sociedade já se acostumou a um padrão de obesidade?

Ela não se acostumou, mas essa característica está atrelada à saúde. Antes se acreditava que uma criança gordinha, fofinha e cheia de dobrinhas era uma criança saudável e hoje sabemos que não, principalmente se esse estado nutricional progride da infância para a adolescência, 80% dos casos de obesidade na adolescência vão evoluir para a vida adulta.

 

Quais os fatores que levam à obesidade?

A obesidade não tem um único fator determinante, ela tem uma heterologia extremamente complexa, multifatorial e em cada indivíduo temos interferência, cada vez maior, do ambiente e genética.

Em linhas gerais, o que chamamos de ambiente favorável a obesidade é aquele em que:

  • A pessoa vai ser mais sedentária e ter uma ingestão calórica maior. Isso vai acontecer nas situações em que ela terá industrializados que são altamente palatáveis, de fácil aquisição e baixo custo;
  • Consome alguns produtos que estão na lista dos desruptores endócrinos, como os pesticidas;
  • Não ocorre mais a adaptação do frio para o calor e vice-versa porque as pessoas estão sempre na mesma temperatura pelo uso do ar condicionado e aquecedores. O frio, apesar de dar fome, aumenta o gasto energético porque estimula o tecido adiposo marrom, que é uma forma de dissipar a energia;
  • Alguns medicamentos favorecem o ganho de peso. É importante ressaltar que se o paciente usa medicamentos que levam  ao aumento de peso, isso deve ser bem justificável;
  • Com o aumento da idade se observa um aumento progressivo da obesidade,  ou seja, a obesidade é crônica e progressiva. A medida que os anos vão passando, se não houver redução da ingestão calórica, o peso tende a subir;
  • A privação do sono interfere no ganho de peso na medida em que o paciente acaba produzindo uma maior quantidade de cortisol e isso faz com que se busque mais alimentos palatáveis. Esses alimentos têm muita gordura e muito açúcar, o que vai determinar uma ingestão maior em termos de caloria e quantidade também.

 

Quais os alimentos considerados vilões para uma pessoa ganhar peso?

Não existe esse alimento X, o que temos que considerar é a quantidade que se consome e a regularidade.

É importante dizer que a alimentação deve ser fundamentada num alto grau de verduras, frutas e legumes.

 

Quanto tempo de atividade física uma pessoa deve fazer por semana?

A Organização Mundial da Saúde recomenda um mínimo de 150 minutos por semana, lembrando que esse é o mínimo, então, quanto mais a pessoa conseguir fazer de atividade física, melhor para ela, e essa quantidade deve ser em exercícios aeróbicos e resistidos como a musculação.

A pessoa deve fazer aquele que ela tem a maior empatia porque o ideal é que ela pratique o resto da vida.

 

O peso em excesso pode levar ao desenvolvimento de quais doenças?

Ele pode levar ao desenvolvimento de doenças em qualquer um dos sistemas, isso vai depender da nossa predisposição individual. Quem tem uma maior predisposição a doenças respiratórias vai ter um desenvolvimento de asma ou apneia do sono, alguns indivíduos vão ter uma maior predisposição a doenças metabólicas, dislipidemias, hipertensão e diabetes mellitus tipo 2.

Não podemos deixar de falar sobre os vários tipos de cânceres que a obesidade pode promover. Essas doenças vão determinar um aumento de mortalidade seja cardiovascular ou por câncer.

Há um encurtamento de vida e uma piora na qualidade de vida, então, os obesos têm uma vida menor e mais difícil.

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