Médico em Casa

Osteoporose

Entrevista com o reumatologista
Dr. Charles Heldan de Moura Castro
CRM: 76.801

Silmara Biazoto

50% dos pacientes que têm osteoporose não sabem. É uma doença silenciosa e o paciente descobre que a tem, quando sofre alguma fratura. O que causa a osteoporose?

A osteoporose é uma doença muito frequente no nosso meio. É estimado que mais de 10 milhões de brasileiros tenham a doença, que é caracterizada pela densidade e qualidade do osso com o aumento do risco de fraturas. Então, o indivíduo sofre fraturas com trauma mínimo e, às vezes, sem trauma. Frequentemente se faz o diagnóstico depois que a fratura acontece.

Não existe uma cultura do diagnóstico precoce e prevenção no nosso país e no mundo inteiro. Estudamos maneiras de fazer os indivíduos que tenham o risco elevado de ter osteoporose, passarem por exames precocemente para detectar a doença.

Quando se estuda a osteoporose e os indivíduos que apresentam a fratura por fragilidade é a ponta de iceberg sob o qual se encontra um indivíduo que tem fragilidade óssea, que poderia ser detectada pela densitometria, mas que ainda não teve a oportunidade de fazer o exame.

 

O Sr. fala em fragilidade óssea, o que leva a isso?

A fragilidade do osso é o resultado do comprometimento de duas propriedades do osso: a primeira delas é a densidade do osso; a quantidade do osso é reduzida e a segunda é a qualidade do osso; a microarquitetura desse tecido se encontra prejudicada.

O resultado da redução da densidade e da qualidade é uma redução da resistência do osso e, por conta disso, o indivíduo apresenta a fratura.

 

O que leva à combinação desses fatores no organismo humano e que resulta no osso frágil?

O osso fisiologicamente é mantido pela ação coordenada de células formadoras e células reabsortivas. Então, o osso, apesar das pessoas pensarem o contrário, é um tecido muito dinâmico.

Temos células que constroem e formam um osso novo e temos células que destroem. Esses dois grupos de células formadoras e reabsortivas se encontram em equilíbrio. As células reabsortivas reabsorvem o osso e, logo em seguida, as formadoras formam um novo osso. Na osteoporose temos um desequilíbrio, temos mais células reabsortivas do que as células formadoras capazes de formar um novo osso.

Fatores como os hormônios controlam as células reabsortivas. Então, reabsorve muito mais na menopausa, por exemplo, e as células formadoras não conseguem formar o osso  em quantidade adequada. Com isso, temos uma perda de osso e o aparecimento da qualidade esquelética.

A mulher é particularmente propensa a ter osteoporose por conta do evento chamado menopausa. Na menopausa ocorre a perda dos hormônios femininos e esses hormônios são importantes para controlar as células reabsortivas.

Comparativamente à andropausa, no homem é um evento menos devastador: de cada cinco indivíduos com osteoporose, quatro são mulheres e só um homem.

Osteoporose ataca homens e mulheres, mas é mais frequente na mulher quando comparada ao homem. Normalmente ela compromete o colo do fêmur.

 

Uma das consequências da osteoporose avançada é a colocação de prótese?

A osteoporose no fêmur só tem indicação cirúrgica quando ocorre a fratura do colo do fêmur. No indivíduo que tem só osteoporose, sem fratura, o tratamento é clinico com medicações que vão reduzir a perda óssea e vão reduzir as chances dele se fraturar. Mas independentemente do indivíduo se fraturar, ou seja, com ou sem fratura, esse indivíduo merece tratamento farmacológico.

Sendo mais específico: se o indivíduo tem uma fratura do colo do fêmur por conta de osteoporose, se ele colocar uma prótese neste fêmur, ele resolveu o problema daquele fêmur e não dos outros ossos porque a doença é sistêmica, ela acomete todos os outros ossos, seja a coluna, o antebraço, o outro fêmur, a vértebra e assim por todo o corpo.

 

Quando a osteoporose é diagnosticada na densitometria óssea, qual o tratamento?

Existe uma infinidade de medicamentos que incluem hormônios da menopausa que é chamada terapia de reposição hormonal e uma gama muito grande de medicações, todas elas com capacidade e eficácia para reduzir o risco de fraturas, que são aprovadas para o manejo de pacientes com osteoporose.

O médico, com paciente, vai escolher qual o melhor tipo de tratamento. A osteoporose é uma doença crônica, não existe cura e os medicamentos devem ser usados a longo prazo.

 

Além do leite e derivados, quais os outros alimentos que ajudam na produção do cálcio?

Os alimentos derivados do leite são a principal fonte de cálcio. Uma segunda fonte importante são os vegetais verdes, mas eles correspondem a menos de 10% do nosso consumo de cálcio diário. Então, se pensamos numa dieta rica em cálcio sem pensar em leite e derivados, porque o leite e derivados têm uma biodisponibilidade de cálcio muito maior quando comparado, por exemplo, com os vegetais.

Então, mesmo que se coma uma gamela inteira de vegetais, não se consegue atingir o ideal sem uma ingestão adequada de leite e derivados. Naqueles pacientes que não conseguem atingir essa suficiência tomando de três a quatro porções de leite e derivados por dia, o médico vai orientar a suplementação da dieta com sais de cálcio, que serão adequados para corrigir aquele déficit nutricional que o paciente apresenta.

É recomendado na população a partir dos 50 anos, uma ingestão de mil e duzentos gramas de cálcio por dia.

 

E para as crianças?

Depois de um ano de idade até a adolescência também são mil e duzentos gramas de cálcio por dia. Essa ingestão é muito importante e inclusive recomendada durante o estirão da puberdade, aquela fase em que se tem um crescimento ósseo acelerado e vai precisar de material para “construir” esse osso.

Devemos olhar para a dieta das nossas crianças, refletir e reintroduzir o leite nesses pequenos.

 

Atividade física ajuda a prevenir a osteoporose? Quais atividades?

A caminhada, a corrida, o basquete e todas as atividades com impacto,  têm uma atividade positiva sobre o osso. Elas são importantes durante a infância e a adolescência até atingir o pico de massa óssea, que ocorre durante os 20 ou 30 anos de idade. Elas são importantes também no indivíduo que tem osteoporose porque elas ajudam a manter a massa óssea, reduzem o impacto do músculo.

Isso porque, junto com o envelhecimento, se perde osso e músculo, que é uma coisa chamada sarcopenia. A atividade física, além de manter o osso e o músculo, reduz o risco de quedas e, com isso, reduz o risco de fraturas. Todas as atividades físicas são muito bem-vindas, particularmente estimulamos a caminhada, porque é uma atividade de baixíssimo custo e que tem um resultado muito efetivo para reduzir a perda óssea e reduzir o risco de cair.

 

Quais as doenças que podem levar à osteoporose?

Existe um grupo de doenças que são causas secundárias da osteoporose, são elas:

  • Pacientes que fazem uso de cortisonas de forma geral;
  • Pacientes que têm doenças gastrointestinais em especial a retocolite e a doença celíaca;
  • Pacientes que têm doença inflamatória pulmonar obstrutiva crônica;
  • Litíase renal;
  • Nefrolitíase;
  • Hipercalciúria idiopática;
  • Doenças hematológicas;
  • Cânceres.

Todas estas doenças podem culminar com o aparecimento da osteoporose.

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