Médico em Casa

Métodos contraceptivos

Entrevista com o ginecologista 
Dr Jarbas Magalhães
CRM/SP: 25.993

Silmara Biazoto

Com que idade as mulheres estão começando a usar métodos contraceptivos?

Geralmente a paciente aparece no consultório entre 14 e 16 anos. Essa é a idade que recebemos essas meninas, às vezes acompanhadas pelas mães, o que facilita muito. Aí se inicia a contracepção precocemente de forma segura com a maioria dos métodos anticoncepcionais.

 

Temos duas grandes classificações para as pílulas, as de estrogênios e progestagênios e as de progestagênios. Qual a diferença na ação delas e efeitos colaterais?

As pílulas de estrogênios e progestagênios são as mais usadas, são os produtos comerciais em 90% das pílulas no mundo inteiro, têm uma ação inibindo a ovulação.

As pílulas de progestagênios têm uma ação mais no muco cervical,  inibem o encontro com o óvulo e evitam a penetração do espermatozóide.

Os efeitos adversos são semelhantes. As pílulas de estrogênios geralmente dão um pouco mais de cefaleia e dores nas mamas. As pílulas de progestagênios dão uma irregularidade na menstruação, alguns escapes, mas o médico acostumado a prescrever este método consegue controlar bem os efeitos adversos com uma boa orientação e às vezes usa algumas medicações que auxiliam a mulher a passar por estes pequenos problemas.

 

Se tivesse que escolher uma para a sua filha, por qual começaria?

Bem, eu tenho uma filha e já escolhi, ela usa o método combinado de uma pílula tradicional de estrogênios e progestagênios, se adaptou bem e usa há 8 anos.

Deve-se prescrever o método anticoncepcional de maneira adequada para qualquer mulher, não precisa ser a sua filha, deve ser a mesma coisa com todas as mulheres. Então, a paciente deve escolher de acordo com o momento da vida que ela está:

  • Se estiver amamentando tem que usar progestagênios ou usar DIU de cobre;
  • Se tiver uma doença como diabetes descontrolada e hipertensão, ela também pode usar DIU, uma pílula de progestagênios ou um implante.

Precisa adequar a prescrição ao momento da mulher e à doença que ela também tem associada.

Usando métodos contraceptivos, se a mulher tiver dores de cabeça, perda de visão ou dores nas pernas, isso é um alerta?

Os efeitos colaterais podem acontecer de uma maneira fugaz durante os 03 primeiros usos de pílula, mas quando se tem uma cefaleia persistente,  principalmente para as mulheres que têm enxaqueca, o médico deve ficar mais alerta.

A enxaqueca com aura, que é acompanhada de efeitos visuais e cegueira transitória é uma contraindicação para métodos com estrogênios. Para estas mulheres é melhor o DIU de Cobre, o implante de  sistema intrauterino ou as pílulas de progestagênios.

 

Mulheres com pressão alta, diabética ou obesas têm que tomar mais cuidado?

Mulheres com pressão mínima de 9 ou mais devem evitar pílulas com estrogênios. Nesse caso é melhor dar pílula com progestagênios ou sistema intrauterino, ou implante com etonogestrel. 

Na mulher diabética, se ela estiver controlada pode usar qualquer método, mas naquela que não tem o controle adequado, DIU de cobre é muito bom, sistema intrauterino.

A mulher obesa pode usar qualquer método anticocepcional, mas naturalmente quando ela associa obesidade com hipertensão, obesidade com uma história, por exemplo, de ter tido uma trombose, ela deve novamente ser orientada para não usar métodos com estrogênios.

 

Mulheres que fumam ou ingerem muita bebida alcóolica também?

As fumantes já têm um risco cardiovascular aumentado, então, podem ter mais infarto e mais trombose. Elas associam o uso de uma pílula combinada, isso é, a pílula que tem estrogênios, que no caso fazem esse risco aumentar muito. Então, ela deve migrar com métodos só com progestagênios.

 

Como começar a tomar a pílula e o que fazer se esquecer?

Pílula se começa sempre no primeiro dia da menstruação e se esquecer num período de 4, 6 ou 8 horas, ela pode ter um escape. Orientamos para que a paciente tome a pílula no momento que se lembre. Então se toma às 8h da noite e lembrou à meia noite, toma à meia noite. Se ela se lembrou somente no dia seguinte, na hora de tomar a pílula, toma as duas. Lógico que quanto maior o tempo de esquecimento, menor é a eficácia. Então quando acontece isso, a orientamos o uso de um preservativo durante uma semana para evitar uma perda de eficácia.

Vamos comentar agora sobre outros métodos contraceptivos.

Pílula do dia seguinte

A pílula de emergência é uma introdução no meio da anticoncepção muito importante para se evitar a gravidez não desejada numa relação desprotegida. Deve ser usada só nestas ocasiões em que a garota ou a mulher esqueceu o método que usava e teve uma relação desprotegida e não quer engravidar. Geralmente esta dose corresponde de 4 a 8 pílulas comuns, então, pode ter um pouco de náuseas e etc. Ela deve ser tomada o mais rápido possível, quanto mais próxima ela tiver, depois da relação não planejada e desprotegida, ela tem mais eficácia. Ela pode ser usada até 72 horas depois.

DIU

O dispositivo intrauterino, pode ser de cobre ou pode ser o medicado, o SIU (Sistema Intrauterino Liberador de Hormônio).

No caso do DIU de cobre, a mulher continua menstruando normalmente, tem um aumento da menstruação e um pouco mais de cólica. O SIU age mais no endométrio. Além de ser um anticonceptivo potente e muito eficaz, também pode proteger a mulher para ter um pouco menos de sangramento. É usado também para doenças que afligem a mulher depois dos 40 anos, útero discretamente aumentado e hemorragias, ou seja, é um método que auxilia as duas coisas.

O sistema intrauterino pode ser usado também na transição para o período da menopausa. Ela já usa um hormônio que protege o endométrio e se ela já começar a ter efeitos colaterais como ondas de calor e irritabilidade, pode usar o estrogênio na pele ou oral, mas já tem a proteção do endométrio, então, para a transição é muito bom.

Outra coisa boa para a fase da menopausa são as pílulas de estrogênio natural porque elas dão uma anticoncepção muito boa e já entram naquela fase de climatério, fazendo reposição hormonal. Então hoje as pílulas de estrogênio natural podem ser usadas em qualquer idade, mas também podem ser usadas nessa fase com muita eficácia e com poucos efeitos colaterais.

Implante hormonal

Os implantes são métodos efetivos muito seguros e elegantes que a paciente pode usar por 3 anos, são colocados no braço e liberam hormônios.

No Brasil só tem um implante liberado para a anticoncepção. Ele pode ser usado por qualquer mulher desde a adolescência até o climatério respeitando as doenças que ela pode eventualmente ter, mas é um método muito seguro também. É muito fácil de ser aplicado também com anestesia local, se dá um pontinho e deve ser colocado bem embaixo da pele.

É muito difícil ter uma complicação na colocação ou na retirada, que também deve ser feita com anestesia local.

 

Por que agora está se falando muito em contracepção de longa duração?

A contracepção de longa duração é bastante segura e dividida em 3 métodos: DIU de cobre, o sistema intrauterino e o implante que é colocado na pele. São métodos que têm duração de 3, 5 ou 10 anos. Eles estão sendo cada vez mais divulgados porque é uma maneira de prevenir gestação na adolescência, evitar a segunda gestação na adolescência, facilitar para aquela mulher que quer esperar alguns anos entre as gestações.

São métodos que vêm sendo propagados pela própria Academia Americana de Pediatria,  pela FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), que são associações que estimulam o uso desses métodos de anticoncepcionais de longa duração pela sua segurança.

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