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Nódulo na Mama

Entrevista com a Mastologista, Ginecologista e Obstetra 
 
Dra Mayka Volpato
 

CRM: 106.111

A paciente que tem dores nas mamas tem mais chance de ter câncer?

Não. De todas as dores, 2% é câncer, o resto é uma dor normal do período reprodutivo.
 
Depois de entrar na menopausa essa dor vai melhorar porque a mama vai interromper a atividade para a gravidez e aleitamento.
 
 

Então, o que é o cisto? Quem tem indicação para tirar?

O cisto é um acúmulo de líquido que é comum no período pré-menstrual. Na verdade são bolinhas de água, assim que explicamos para as pacientes. Nada mais é que um acúmulo de líquido.
 
A mama é produtora de leite, então é esperado ter acúmulo de líquido em algumas regiões. Algumas mamas têm mais facilidade de formar cistos em algumas regiões. 
 
 Os cistos, na maior parte das vezes, são um achado de ultrassom e não têm repercussão nenhuma.
 
Geralmente a punção é feita quando ele está grande e doloroso. Apalpa-se e sente que ele está pegando um quarto da mama, a paciente sente dor, daí se punciona por alívio, não por ser necessário prevenir alguma coisa.
 

 

O cisto progride para nódulo?

Não. O nódulo é solido e diferente do cisto, que tem conteúdo líquido.
 
Até o próprio autoexame orientamos a paciente a fazer uma vez no mês, sempre uma semana ou 10 dias depois da menstruação, porque a mama está menos inchada e tem menos líquido, então, vai haver menos achado de algo palpável, tanto de nódulos como cistos.
Às vezes, a paciente sente um nódulo e marca a consulta para 15 dias depois, chega aqui e diz: “Doutora,  desapareceu”. Eu faço o ultrassom e não tem nada. Então, provavelmente era um cisto e ele some mesmo.
 
 

Por que algumas mulheres têm nódulos nos seios?

Isso é uma proliferação da mama, uma renovação celular e, em alguns momentos, aparecem nódulos que podem ser benignos e malignos. Em torno de 20% das pacientes têm nódulos e benignos. Nesse caso, tem que acompanhar, normalmente por dois anos a cada seis meses, e por quê? Porque os nódulos benignos não passam de 2 centímetros, são pequenos, então, nesses dois anos acompanhamos o crescimento. 
 
Se ele for maligno a conduta muda. Normalmente fazemos a punção, o diagnóstico e damos o tratamento oncológico adequado, que vai variar de acordo com o tamanho do tumor e das características. 
 

 

A intervenção com a agulha causa a  preocupação de que possa haver um dano mais sério no tecido mamário, isso pode acontecer? Essas punções podem desencadear alguma doença?

Não, a punção é segura. Não tem uma repercussão no futuro, nem a punção de nódulo benigno e nem a de nódulo maligno.
 
Às vezes, as pacientes se preocupam: “Eu tenho um câncer e ao passar a agulha, vou trazer o tumor e isso vai contaminar o trajeto”, isso não acontece com a mama. Tem alguns tumores com essa característica, mas o câncer de mama não.
 
 

Uma curiosidade: o sutiã apertado e o desodorante antitranspirante são contraindicados? 

Não. O desodorante não tem nada a ver com o câncer de mama apesar de haver muitas matérias falando sobre isso.
 
O lugar com mais glândulas mamárias é na lateral, quem amamentou sabe disso. É uma característica da mama ter mais glândulas na lateral.
 

 

Em que caso você recomenda a mastectomia?

Quando a proporção é muito grande, ou seja, tumor grande e mama pequena. 
 
Quando fazemos mastectomia profilática? Em paciente com mutação genética. Tem que ter a mutação genética investigada e aí a paciente tem a opção da retirada.
 
Algumas têm mutação com risco maior de 80 ou 90% de ter câncer.
 
Tiramos o corpo da mama, preservamos a pele e o mamilo. Qual a redução de risco para essa mulher? Em torno de 95%. Às vezes, a pessoa pensa que o risco zera, não zera porque a pele ainda tem uma pouquinho de glândulas.
 
A idade é extremamente importante, por isso a história clínica é fundamental.
 
No caso de pacientes abaixo de 40 anos com câncer, vamos atrás de uma mutação familiar, que é o caso da Angelina Jolie, que é o quê? Tem mãe, tia e avó que tiveram câncer e todas jovens, algumas morreram aos 40 anos. 
Quem vai fazer isso é o mastologista com o oncologista e daí o tratamento é completamente diferente.
 
Hoje em dia as cirurgias conservadoras estão sendo cada vez mais utilizadas. Vai depender da proporção tumor e mama. Em uma mama grande com um tumor pequeno se faz um quadrante, normalmente se resseca o tumor e deixamos o que chamamos de “margem de segurança”. Daí se associa a radioterapia para esterilizar o leito cirúrgico e aquela mama está tratada. 
 
 

Quem amamenta tem menos chance de ter câncer de mama?

O aleitamento é um fator protetor para o câncer de mama. Essa proteção é maior quanto mais jovem for a paciente.

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