Médico em Casa

Medicina ortomolecular

Entrevista com o médico ortomolecular
Dr Antônio Carlos Ruffolo
CRM/SP 21.734

Silmara Biazoto

O que é medicina ortomolecular?

A medicina ortomolecular tenta não dividir, como hoje em dia se divide muito a medicina. Se o paciente tem uma dor na barriga procura o gastroenterologista; se dói a perna vai a um ortopedista e, se está com dor de cabeça, a um neurologista.

A especialidade engloba o máximo de sintomas num mesmo quadro clínico, se faz exames e tratamentos habituais: se o paciente tem colesterol alto, por exemplo, trata-se o colesterol só que a preocupação maior é com coisas que ninguém se preocupa.

Minha preocupação é com a memória, saúde, bem estar, qualidade de vida e o sono para mim é fundamental. O tripé da saúde: todo mundo tem que fazer exercício, ter alimentação adequada e controle do stress dormindo bem. Isso é qualidade e o tripé de saúde hoje em dia.

 

A partir do resultado do exame do genoma, as pessoas podem entender a sua carga genética, prevenir e tratar doenças?

Nós hoje vamos nos ater mais a falar sobre o que nós chamamos de nutrigenômica, ou seja, a nutrição interferindo no nosso genoma.

Se nós temos um gene fadado a ser ruim, o que nós podemos fazer através da nutrição para não deixá-lo aparecer? A principal arma hoje da medicina ortomolecular é trabalhar com o stress: se o paciente estiver estressado, sabe-se que perde tudo. Perde o elo de garantia de nutrição e esportes, o controle do stress é fantástico para o tratamento ortomolecular.

O desenvolvimento do genoma que nós começamos a trabalhar foi desenvolvido em quatro grandes centros na Itália. Quando  se colhe o genoma,  que é uma simples retirada da mucosa da boca, temos o genoma para a nutrição. Esta parte da nutrição é fantástica porque ela vai pegar fatores muito comuns.

É feito um pacote para estudar o metabolismo de proteína, carboidrato, gorduras e o perfil nutricional do paciente.

Dentro dos fatores emocionais, vem sendo estudado o gene de Alzheimer. É uma apoproteína chamada ApoE que, dependendo da coligação, te fala da predisposição do paciente em desenvolver a doença de Alzheimer e nutricionalmente o que se pode fazer durante uma vida toda para não desenvolver a doença. A parte de micronutrientes é o que dentro da nossa alimentação nós vamos ter que usar.

Existe o gene para absorver as vitaminas A, B6, B9, B12, C, D, E, J, K e magnésio. Então o paciente sabe o que vai fazer, sem precisar tomar aqueles pacotes de vitaminas que existem no mercado. O gene mostra o que ele precisa usar o resto da vida.

Depois avaliamos a sensibilidade que o paciente vai formando e que nascemos com predisposição genética. Sensibilidade ao álcool, café ou sódio, quem tem sensibilidade ao sódio, por exemplo, vai desenvolver hipertensão arterial; quem tem sensibilidade ao níquel, vai desenvolver alergias. O metabolismo do ferro: quem não absorve o ferro vai ter anemia a vida toda, assim como quem absorve demais tem uma doença muito ruim que chama-se hemossiderose.

Comprovadamente em São Paulo entre 50 e 60% da população é intolerante à lactose, celíaca ou intolerante ao glúten.

O metabolismo de lipídio para ver o colesterol aumentado ou triglicérides, metabolismo do carboidrato, metabolismo da diabetes, gordura visceral (que verifica a esteatose hepática) e a predisposição à síndrome metabólica, juntas com o colesterol alto, obesidade e resistência à insulina, correspondem a 70% das doenças atuais. E, por fim, a medicina ortomolecular analisa a capacidade de desintoxicação do paciente, se ele está antioxidando ou desintoxicando. Isso é controlar o envelhecimento.

Eu acho que esse é o anti-aging mais interessante, é ter a capacidade de oxidar e inibir os radicais livres. Esse é o estudo do genoma.

 

A partir do resultado de exame do genoma se começa o tratamento personalizado?

Já vem junto com o programa, então, se o paciente precisa desintoxicar, no programa vem os nutrientes para desintoxicar o seu corpo. Se ele tem o gene de recuperação de peso, vêm os nutrientes que chamam de pacote: com dieta e os nutracêuticos. Vem o que o paciente precisa para inativar os genes, não só para alimentar, mas para melhorar o metabolismo de carboidrato, caloria, colesterol e sem tomar remédio.

 

A medicina ortomolecular repõe hormônios para tratar quais sintomas e doenças?

Hoje em dia, vários hormônios podem ser repostos. Nós podemos repor o hormônio do cérebro (hipófise), o hormônio do crescimento, hormônio da tireoide (um pouco diferente do tratamento clássico).

Nós repomos o hormônio da glândula suprarrenal, que é a glândula mais fantástica do mundo: ela tem de um a dois centímetros em cima do rim e ela te joga na lona. Chama-se adrenopausa: o paciente para de fabricar o cortisol e já acorda cansado. À tarde, ele está cansado e, às vezes, o cortisol sobe à noite e ele perde o sono. Por isso, que todo mundo que tem stress fica cansado.

O cansaço, fadiga, insônia, ansiedade e a depressão: tudo isso vem através dos neurotransmissores que são fabricados, uma boa parte deles, dentro da glândula suprarrenal.

 

O hormônio do crescimento, se usado sem um acompanhamento, pode trazer ao paciente consequências ruins?

Nós tivemos casos de alguns pacientes que tiveram que interromper o uso do hormônio do crescimento pelo aparecimento do câncer. Então, veja bem, o hormônio do crescimento não dá câncer. Câncer é uma mudança do DNA da sua célula, que fica uma “celulazinha” ruim, que vai proliferar sem controle, isso é o câncer. Só que se o paciente está usando um produto que vai melhorar as células sadias, as células cancerosas também vão gostar muito de GH (growth hormone), o hormônio do crescimento, e vão crescer mais. Então, GH não dá câncer, hormônio do crescimento não dá câncer, mas pode acelerar um câncer existente.

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