Médico em Casa

Câncer de próstata

Entrevista com o Urologista
Dr Paulo Rodrigues
CRM/SP: 60.050

Silmara Biazoto

Em qual fase da vida o homem deve começar a fazer um acompanhamento da próstata regularmente?

Hoje procuramos estratificar os pacientes da melhor maneira possível e quando eu digo estratificar é entender que alguns pacientes têm mais risco do que outros.

Há pacientes que têm antecedentes familiares muito fortes: o bisavô teve câncer de próstata, o avô teve, o tio ou o irmão tiveram, então esse é um paciente que tem uma chance maior de ter câncer de próstata. Alguns homens devem acompanhar o comportamento do PSA, através do exame de sangue, a partir dos 35 anos para  saber o risco de desenvolver a doença precocemente.

Se olharmos para as diretrizes de governo e sociedades médicas de forma geral como na urologia, que é o meu caso,  se tenta estabelecer uma regra básica para todos os cidadãos. De maneira geral, no mundo inteiro, se recomenda que se faça o exame de toque e de PSA a partir dos 40 ou 45 anos.

Hoje o que queremos é detectar o câncer de próstata numa fase muito precoce, quando ele é tratável e absolutamente curável.

Temos índices de cura muito altos, dificilmente aparece um melhor exemplo que expressa a evolução da medicina do que o tratamento do câncer de próstata: os índices de cura são de 97, 98%. São muito altos em comparação com outros tipos de câncer.

 

O exame do PSA é anual?

Com o conhecimento do histórico do paciente, do PSA e dos tipos de células de cânceres que acontecem na próstata, temos o conhecimento para variar de 2 a 3 anos as visitas regulares.

Como regra geral se recomenda o exame anual, mas de uma maneira particularizada é possível que alguns pacientes possam vir a cada dois anos. Entretanto, o contrário também é verdade e existem pacientes que precisam vir a cada 4 meses. É preciso vigiar de uma maneira mais pormenorizada o paciente que tem um histórico de câncer alto ou um PSA elevado e está no limite de fazer uma biópsia de próstata, por exemplo.

Essas filtrações que temos condições de fazer para saber se é de alto, médio ou baixo risco nos permitem customizar o tempo que esse paciente precisa fazer os exames.
A partir dessas informações conjugadas, do exame de toque e do PSA, se consegue um perfil particular para cada paciente.

 

Além do câncer de próstata, quais as outras doenças que podem aparecer na próstata?

  • A hiperplasia benigna da próstata está relacionada ao envelhecimento.
  • A prostatite é um nome genérico para inflamação da próstata. Pode ser uma prostatite por vírus, bactérias, câncer e pode ser que o sujeito urine mal.

Essa é a arte da medicina, que através dos diagnósticos e conversas entende os hábitos do paciente.

 

A sua afirmação me chamou a atenção. Então, o que é urinar mal?

Uma série de sintomas faz o paciente ter a percepção de que urina mal, por exemplo, o jato de urina está preso ou ele acorda muitas vezes à noite e tem a sensação de que não esvaziou a bexiga completamente, ou está numa reunião, cinema ou teatro e tem que interromper para satisfazer a vontade de urinar – essas são coisas que fazem com que a bexiga comece a interferir na vida pessoal dele de maneira que comece a se adaptar à doença.

 

Para que serve a próstata?

A função específica da próstata é produzir uma quantidade muito pequena de secreção que tem poder bactericida e uma série de imunoglobulinas, anticorpos naturais, de maneira que as bactérias, que durante uma relação sexual são empurradas dentro da uretra, encontrem esses anticorpos e não consigam ascender para dentro da próstata e bexiga, portanto, ela é um escudo.

Agora, o sêmen tem uma contribuição muito pequena em volume prostático, a maior quantidade que se ejacula numa relação sexual vem da vesícula seminal, que é outra glândula muito próxima à próstata, mas se trata de outra glândula.

 

O homem tirando a próstata segue “vida normal”?

O homem tirando a próstata na essência segue vida normal, não deixa de ter nenhuma atividade essencial para a sua vida, mas é verdade que mexer na próstata significa um risco não desprezível de ter sequelas, é o benefício de se fazer a cirurgia e o malefício de conviver com sequelas. O benefício é a vida, manter a sobrevida desse paciente.

Sobretudo na próstata, quando o paciente tira, pode ter incontinência urinária, disfunção sexual relativa ao ato cirúrgico ou a irradiação para tirar a próstata.  Surpreendentemente, outros órgãos que estão na pelve e também passam por cirurgias, por exemplo, o câncer de reto, bexiga ou útero, também têm as mesmas sequelas, mas pouco se fala sobre isso porque aparentemente a próstata tem uma alma muito relacionada à sexualidade humana.

O fato é que mexer na pelve humana pode causar sequelas porque há uma quantidade de nervos enormes que permeiam os órgãos e obviamente quando mexidos e alterados, pode ser que não funcionem bem.

 

Estilo de vida e alimentação podem provocar alterações na próstata?

Não há dúvidas, existem estudos populacionais que mostram que a ingestão exagerada de gordura animal, sobretudo carnes, está relacionada de uma maneira geral a todos os cânceres humanos, seja câncer de estômago, cólon, intestino grosso e  delgado e na próstata não é diferente. Esses alimentos exigem um metabolismo que gera substâncias tóxicas mais difíceis do organismo se resolver metabolicamente ou bioquimicamente, gerando assim processos inflamatórios: muitas das teorias mostram que esse é o gatilho do processo bioquímico dentro da célula de DNA para se transformar numa célula cancerosa.

Há várias teorias que tentam entender como uma célula ou um grupo de células começa lá no início realmente, quando ainda é benigna e em algum momento sofre uma transformação e passa a ser uma célula cancerosa.

Algumas teorias ou a mais aceita é que uma parcela desses pacientes nasce já com o que se chama de uma tendência genética: o paciente absorveu da mãe ou do pai essa tendência, mas é preciso do segundo gatilho,  o second it, ou seja, a segunda batida para que a transformação definitiva aconteça. Então vamos  supor, uma célula tem o gene para se transformar em câncer de próstata, mas se o paciente não consume muita gordura, nesse caso é possível que passe a vida sem ter câncer de próstata.

Entretanto, se o paciente tem essa genética e gosta muito de carne vermelha e gordura animal, é possível que contribua para essa célula, que tem uma tendência para o processo.

Aparentemente é assim, muitos dos cânceres estudados no ser humano já têm a comprovação de entendimento de qual é o código genético responsável, mas em geral ele precisa de um segundo estímulo, que pode ser o estilo de vida, então se recomenda fazer exercícios, controlar hipertensão e diabetes porque essas são situações que alteram o seu metabolismo.

Fazer exercícios diminui a chance de câncer de forma geral, não somente o de próstata, comer menos carne também, ter uma vida saudável, beber muito líquido, comer menos corante e comida industrializada de uma maneira geral. É difícil trazer esse nível de informação para um indivíduo, mas quando se estuda populações, isso fica muito claro.

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